Porto Alegre – “Imprensa Negra Online: O racismo na pauta de todos os dias”, artigo que analisa a experiência da Agência Afroétnica de Notícias (Afropress), dos professores Ilzer Matos e Lourdes Silva, foi um dos trabalhos apresentados e aprovados na V Jornada de Estudos Afro-Brasileiros (ANPUH-RS), realizada em setembro em Porto Alegre e no 5º Encontro Nacional dos Pesquisadores em Jornalismo, promovido, em novembro, pela Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor), na Universidade Federal de Aracaju.
Os autores tem larga experiência acadêmica. Ilzver de Matos Oliveira é bolsista do Programa Internacional de Bolsa de Pós-Gradução da Fundação Ford e Mestrando em Direito Público pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), além de também fazer Mestrado-sanduíche no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra. A Professora Lourdes Ana Pereira da Silva, é também Bolsista da Fundação Ford e Mestranda em Ciências da Comunicação da UNISINOS, no Rio Grande do Sul, além de também fazer Mestrado na Universidade de Coimbra.
“Nesse trabalho denominamos de imprensa negra online, as experiências alternativas de comunicação que, inseridas na rede mundial de computadores, buscam suplantar os objetivos primeiros da imprensa negra surgida no início Século XX, deixando de falar para dentro e passando a dialogar com todo o mundo, diante da percepção de que o problema do racismo não deve ser preocupação exclusiva do movimento negro, mas, de todos indistintamente. Assim, essa pesquisa analisou uma dessas práticas alternativas, o AfroPress, para a partir dele, discutir as características e as propostas dessa imprensa negra online, o seu protagonismo nas discussões atuais sobre o negro e refletir sobre a legitimidade, a capacidade e a independência dessa atuação, afirmam na introdução do artigo.
Imprensa Negra
O trabalho faz um histórico da Imprensa Negra desde o período do escravismo, passando pelo período pós abolição, até os dias de hoje. “No momento atual, novas experiências de imprensa negra emergem e trazem consigo uma nova discussão sobre o papel dessa imprensa no enfrentamento do racismo e suas formas de expressão. Esse novo debate reflete sobre até que ponto a imprensa negra atual continua restrita ao público negro, ensimesmada, e em que medida isso pode significar um entrave ao alcance dos seus objetivos principais. Questiona-se, ainda, se não estaria na hora de construir um modelo de jornalismo negro que não tivesse por foco, tão somente, e exclusivamente, outros negros, mas que pudesse ser um veículo de conscientização de todos os cidadãos para o grave e persistente problema do racismo no Brasil. Um dos exemplos dessas novas experiências é o AfroPress”, afirmam.
Experiência nova
Os pesquisadores destacam a nova experiência de Imprensa Negra, da qual citam Afropress como exemplo, de “falar com e para o mundo”. “Anotamos que a proposta da AfroPress, que tem por foco um jornalismo voltado para a temática racial e étnica, a partir do uso da Internet, e pelo aproveitamento da experiência e do idealismo dos seus membros no trato da temática racial, por serem militantes e voluntários de movimentos sociais, e da sua formação profissional, já que são jornalistas ou profissionais de áreas afins, consegue realizar um trabalho que congrega a legitimidade, a capacidade e a independência.”
Por fim, os pesquisadores, destacam que a experiência “tem o claro objetivo de servir de modelo e abrir portas para a sua reprodução”, mas alertam para os riscos de que, pela falta de alguns elementos que são analisados no trabalho, ou sejam, legitimidade, capacidade e independência, acabe-se, caindo nos perigos da cooptação, especialmente da grande imprensa, o que tornaria essa tentaitva de um jornalismo emancipatório em mais uma experiência de dominação e regulação, desvirtundo-a da trilha daquilo que se deseja construir alternativamente a partir da idéia de que “um outro mundo é possível” .
Veja a íntegra do artigo assinado pelos dois pesquisadores na sessão Colunistas.

Da Redacao