S. Paulo – Cerca de 200 mil leitores nos cinco continentes, da África à Ásia, de países tão distintos quanto a República Tcheca, a China, a Austrália, Angola e Ucrânia, passando por países do Caribe, e da América do Sul e do Norte, como Estados Unidos, Cuba e Paraguai, acessaram a Afropress de janeiro a dezembro de 2008, segundo estatísticas mantidas pela Rede Rits, a Rede de Informações do Terceiro Setor, provedor da Agência.
O maior universo de leitores detectado pela estatística está naturalmente no Brasil, com 47% dos que acessam. Em 2008, porém, cresceu o número de acessos nos Estados Unidos, que passou a responder por 9% , Portugal, com 2%, e China, Grã Bretanha, e Alemanha, todos com 1% dos acessos. A média de acessos/mês foi de cerca de 16.666, o equivalente a cerca de 550 leitores/dia.
Busca da informação
O aumento do número de acessos em países como Estados Unidos e na Europa, em geral, segundo o editor da Afropress, jornalista Dojival Vieira, deve-se à presença de comunidades de negros brasileiros que vivem há muitos anos nestes países e que buscam informação sobre a realidade étnico-racial brasileira, diante da falta de notícias que não encontram nos grandes veículos de comunicação.
No plano interno, Dojival disse que os acessos do ativismo “refletem os humores de determinados grupos que tendem a gostar ou a não gostar do nosso trabalho, por conta das posições políticas e tem dificuldades em entender que não se faz jornalismo para agradar esta ou aquela posição política, partidária e ou ideológica.”
“Fazemos jornalismo e muitas vezes revelamos aquilo que muitos desses grupos querem esconder. Não é uma posição cômoda e muitas vezes não é nada confortável fazer jornalismo independente. Por isso, claro, e quem faz jornalismo sabe disso, do mesmo modo que os grupos extremistas vinculados ao racismo e ao nazismo nos atacam, também sofremos as mudanças de humor, o boicote velado de quem confunde, jornalismo com propaganda, seja por falta de compreensão do que seja jornalismo, seja por conta do espírito autoritário e anti-democrático que permeia as relações de certos grupos do próprio Movimento Negro”.
Referência
Para o jornalista Dojival Vieira, o trabalho da Afropress – que se mantém voluntário – é uma referência hoje não apenas para ativistas que querem ter acesso à informação, mas também para pesquisadores negros e não negros, que se ressentem da falta desse tipo de informação, embora seja possível constatar o aumento da visibilidade do tema, nos meios de comunicação de massa do país.
“Tenho consciência de que contribuímos para isso porque nos tornamos uma referência para as redações dos grandes veículos, inclusive do telejornalismo. Por outro lado, ao levar informação, estamos também contribuindo para o empoderamento de todos os que querem mudar a realidade do país, marcado pela desigualdade com viés fortíssimo da herança dos 400 anos de escravismo. Informação é poder. Quando determinados grupos mantém as informações entre si – para além da cultura do gueto, da segregação – estão, na prática, incorporando e cultivando o mandonismo, a relação hierarquizada vertical, que é na essência autoritária e anti-democrática. Quem sabe, pode”, resume.
Troféu
O trabalho desenvolvido pela Afropress está se tornando a cada dia uma marca da informação de qualidade focada na temática étnico-racial brasileira, segundo a jornalista Dolores Medeiros, coordenadora de Redação.
Com experiência em outros veículos como a TV Record e a Rede Bandeirantes de Televisão, onde é chefe de reportagem do jornalismo local – o São Paulo Acontece – Dolores disse que para 2009, quando a Afropress comemora 5 anos de funcionamento ininterrupto – quatro dos quais com informação diária – a proposta é lançar o Troféu Afropress, a ser entregue a pessoas que mais se destacaram em 2008 na luta por Igualdade no Brasil. “Essa é uma idéia que deveremos lançar em janeiro e o Troféu Afropress deverá ser entregue no 20 de Novembro, a pelo menos 20 personalidades de vários setores que estão contribuindo para um Brasil menos injusto e desigual”, afirmou.
Dojival e Dolores aproveitaram o balanço de final de ano para agradecer colaboradores, entre os quais colunistas, comentaristas, e aos leitores que de forma anônima são a razão do nosso trabalho e da existência da Afropress. “Vida longa à Afropress. Vida longa a todos e um Feliz Ano Novo, é o que desejamos, de coração, a todos e todas”.

Da Redacao