S. Paulo – Mesmo com os ataques sistemáticos do racismo, a Agência Afroétnica de Notícias (Afropress) fechou o ano ultrapassando a casa dos 70 mil leitores, de acordo com estatísticas fornecidas pela Rits – Rede de Informações para o Terceiro Setor, o provedor em que está hospedada a página desde janeiro de 2.006.
De janeiro até 04 de dezembro passado foram 64.072 visitantes. O provedor ainda não informou a estatística de dezembro, porém, mantida a média anual, será ultrapassado o número de 75 mil leitores anuais.
As estatísticas de acesso apontam que o número de leitores pulou de 1.561, em janeiro, para 13.250 leitores, em novembro. Trata-se de um recorde em termos de mídia segmentada com abordagem jornalística, democrática, plural e independente, que tem como foco a temática racial e étnica, segundo especialistas.
A maioria dos leitores de Afropress – 75% – segundo as estatísticas, são do Brasil, sendo que os outros 25% estão espalhados por países da Europa como Alemanha, Itália, Finlândia, Áustria, Portugal, Espanha, Holanda, Noruega, e Estados Unidos e Canadá. Na América Latina é significativo o número de acessos no Peru, Uruguai e Colômbia. Na América Central e Caribe é grande o número de acessos no México, República Dominicana e Jamaica.
Na África, a maior parte dos leitores concentra-se em Moçambique e Angola. A Agência também é lida, de acordo com o relatório de visitas das estatísticas, na Austrália e em Israel.
Imprensa independente
A Afropress é um projeto da ONG ABC sem Racismo, que tem como objetivo dar visibilidade à temática étnico-racial na mídia com o uso das modernas tecnologias, em especial a Internet, conforme recomenda o Plano de Comunicação aprovado na III Conferência Mundial contra o Racismo, promovida pela ONU, em 2001, em Durban, África do Sul.
Embora a experiência tenha sido iniciada em setembro de 2.004 em caráter experimental, foi a partir de julho de 2005 com a cobertura da 1ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, em Brasília, que a Afropress passou a operar em tempo real, com pelo menos uma edição diária. Desde então foram postadas 1.045 matérias na página principal, sendo 107 no espaço de Correspondentes; 243 artigos na sessão Colunistas, 33 Editoriais, 251 Palavras do Leitor, 219 Agendas.
Falando para a sociedade
Para o jornalista Dojival Vieira, a Afropress é uma experiência pioneira no Brasil, de um jornalismo plural, crítico, independente, democrático e ético, focado na temática racial e étnica, e tem influído decisivamente para o aumento da visibilidade do tema na mídia em geral, inclusive no jornalismo impresso. “Claro que as Listas na Internet, como a Discriminação Racial, são canais importantes de comunicação.Tornaram-se Redes em que a comunicação é rápida. O que acontece é que nelas, falamos mais para ativistas e militantes, falamos mais pra dentro, para nós. A Afropress quer falar para a sociedade brasileira, negros e não negros anti-racistas, indígenas, para todos os grupos que historicamente sofreram e sofrem discriminação por razões raciais e étnicas. A superação do racismo no Brasil só será possível com esta ampla frente por um Brasil Afirmativo, valer dizer: um Brasil que não exclua ninguém do universo dos direitos e das oportunidades”.
Ele dá como exemplo a Parada Negra, a maior maior manifestação negra e anti-racista já realizada em S. Paulo no Dia Nacional da Consciência Negra – 0 20 de Novembro – e que também teve a maior cobertura de mídia a uma manifestação desse tipo. A manifestação foi destaque nos telejornais de todas as TVs e nos principais jornais do país – a Folha de S. Paulo e o Estado de S. Paulo.
“Nosso trabalho na Afropress está contribuindo para que a temática passe a ser vista pela mídia, incluindo os grandes jornais impressos e o telejornalismo, principalmente, porque já somos uma fonte de informação para as redações que até então não havia”, afirma.
Colaboradores
O Projeto se mantém em caráter inteiramente voluntário, graças ao trabalho do editor e da coordenadora de Redação, jornalista Dolores Medeiros, bem como se vale da colaboração voluntária e eventual de articulistas de renome como Sueli Carneio, Joel Zito Araújo, Nei Lopes, Márcio Alexandre, Cidinha da Silva, Marcos Terena, Marcos Romão, que escreve eventualmente de Hamburgo, na Alemanha; e colaboradores como Antonio Lúcio, Florêncio Vaz e Edson Cadette, que escreve de Nova York com maior regularidade.
Mesmo com as dificuldades, Dojival é otimista. “Apesar dos ataques do racismo, resistimos e seguimos em frente. Nossa meta em 2.007 é dar sustentabilidade a um projeto inovador, criativo e que já é o embrião de uma rede nacional de mídia étnica, fundamental para o avanço da luta por igualdade racial”.
Para isso, o jornalista disse que dará prioridade a busca de parcerias visando ampliar a redação e a cobertura e aumentar a velocidade da postagem de matérias. “Vamos encaminhar o projeto para empresas comprometidas com a responsabilidade social, fundações e instituições públicas nacionais e internacionais, buscando apoio para a Afropress. Temos consciência de que estamos prestando um serviço da maior relevância para o Brasil e precisamos de apoio”, afirma.
Jornalismo de combate
Há, no entanto, um aspecto que ele ressalta: “Aceitamos e estamos buscando apoios para garantir a sustentabilidade do projeto que, até pela amplitude que adquiriu, não pode mais ser tocado como trabalho voluntário como vem sendo, porém, nossa linha editorial de absoluta independência é inegociável”, conclui.
Também serão buscadas parcerias com Universidades e Faculdades de Comunicação de todo o país, na perspectiva de que a Afropress passe a ser Laboratório para estudantes de Comunicação interessados na temática étnico-racial como atividade de extensão.
Ele destaca ainda a atitude do jornalismo militante e de combate, que fez com que a Afropress ficasse no centro do movimento de denúncias, que levaram à tomada de posição por parte da Justiça brasileira em relação aos bandos racistas disputam o monopólio da Internet para fazer a pregação do ódio racial.
Graças às denúncias e ao trabalho de investigação do MP de S. Paulo, a Justiça de Brasília denunciou e está sendo processado o primeiro caso de um acusado da prática de racismo na Internet – o estudante Marcelo Vale Silveira Mello, cuja sentença deve sair em 2.007.
O editor de Afropress faz questão de fazer um registro. “Em nome da equipe Afropress quero agradecer a todos os que, neste ano de 2.006, nos acessaram em busca de informação de qualidade. Nosso objetivo é fazer bom jornalismo, comprometido com a construção de um Brasil sem racismo. Também quero agradecer aos que colaboram com artigos, com matérias, aos que escrevem fazendo comentários. Em 2.007 vamos continuar buscando fazer um jornalismo cada vez melhor”, assinala.

Da Redacao