A voz do Ministro Gilmar Mendes, estilo “por-que-puseram-uma-batata-quente-na-minha-boca-logo-agora-que-estou-falando”, condiz com seu jeitão de “menino pimbudo” e emoldura a tranquila desfaçatez com que ele dá entrevistas com a segurança de que defende intransigentemente a Constituição e a lei. Sempre que ele está finalizando uma fala, fico esperando que ele termine me chamando de imbecil.

Triste é saber que ele não é nosso único exemplar público de cafajeste de luxo. Com ele concorre fortemente Renan Calheiros, por exemplo, assim como Aloísio Mercadante, de tristíssima memória. Se aquele não expõe que é ideologicamente preparado para ser o que é – canalha – este fazia de conta que era um bom rapaz. Enojantes. Os dois. Os três.

Porém, vamos ao que interessa: ouvi hoje o Ricardo Boechat quase ensandecido, falando sobre a “lista fechada”, dando um alerta para seu real significado.

Em lista fechada, o eleitor vota no partido, né, – coisa belíssima, como princípio sueco e não, nacional – e, garantidas as vagas, o partido definirá quem serão os “nossos” representantes.

Talvez Gilmar Mendes – defensor ardoroso dessa proposta na novíssima “reforma política” – definisse isso como caixa 2 simples. Eu discordo. Isso é um perigoso caixa 2 composto, pois da canalha que hoje nos representa, muitos não têm chance de retornar ao parlamento em 2018, salvo se votarmos “no partido” e aí o partido escolhe quem vai nos representar. Aritmética elementar: 100 mil votos de trouxas, uma vaga no senado e lá vai um Romero Jucá esperto!

Caraca! Aqui no Brésil, nem a máxima do “a cada dia, a sua agonia” está valendo mais. O que prevalece é “a cada dia, agonias em avalanche….”.

Adelina Braglia