Sabemos até que não somos descendentes de imigrantes. Ou seja, nossos antepassados entraram à sua revelia nesta história, que está tendo uns desfechos imprevisíveis, que por sua vez nos faz vítimas involuntárias de sua trama diabólica, e sujeitos aos caprichos de nossos algozes, e sem ao menos a menor satisfação do por que devamos obedecê-los em suas determinações.
Repetiremos, e não nos cansaremos de fazê-lo, que nós outros entramos à nossa revelia nesta história, hoje evidentemente estúpida e hedionda, de “civilização judaico-cristã ocidental”. Esta que de princípio se autodefinia como “evoluída” e “progressivista”. No entanto, ora se mostra irresponsável e exclusivista. E tudo que demonstrou durante estes últimos quinhentos (500) anos nada mais é que mera bazofia, pois começa a demonstrar todos os seus defeitos, e, em contrapartida, nenhuma virtude ou efeito positivo.
Pelo menos não para nós outros. E nem, pelo que se pode constatar, para o seu – assim achamos que devem se considerar – semelhante, ou seja, irmãos de suas próprias etnias. No entanto, sempre a nós outros nos cabem os maiores sacrifícios, aliás, nunca ressarcidos, além das discriminações que sofremos, somos ainda acusados de sermos os próprios e principais responsáveis por nossa precariedade.
E mantiveram a nossa maioria na ignorância, apenas para nos impedir de solucionarmos o nosso desatino. Mas, como dissemos a responsabilidade não é nossa, pois entramos a nossa revelia… Pior que isto! Não fomos nós que entramos! E sim os nossos ancestrais. Foram estes subjugados, não importa se comprados ou não, ou de quem ou por quem, o fato é que nós, atualmente não temos nada com isso, e não devemos ou podemos pagar por erros de outrem ou mesmo da suas História, sejam lá estes dos nossos ancestrais ou dos deles.
Pois somos filhos, também, deste Planeta Terra, seres também humanos, e porquanto também proprietários deste, por natalidade. Os regimes e sistemas vieram a posterior, e foram impingidos à força. O movimento negro nacional propõe seja este dilema resolvido de maneira amistosa propõe a instalação de um regime democrático racial. Este que, aliás, é nem uma proposta tua, mas sim daqueles mesmos que hoje ainda insistem em não deixá-la se consolidar ou ao menos concretizar.
Ela é proposta dos nossos algozes. Estamos falando dos etnicamente “brancos” e descendentes europeus, que são os percussores de todas estas desgraças as quais passamos e atribula o restante do mundo.
Para a maioria dos brasileiros que vivem nas trevas da ignorância – mesmo admitindo que isso só foi conseguido compulsivamente -, toda esta história de descriminação e maus-tratos aos negros, hoje afros-descendentes, tem início no século XIX, mais precisamente no ano de 1888, quando da falsa “abolição da escravatura”. Ledo engano.
Há outros que o julgam ter início nos princípios do século XVI, em 1532, quando os primeiros africanos começam a serem cambiados e transladados através do Oceano Atlântico para as Américas. E novamente se enganam. O nosso martírio tem origem numa época bem mais remota.
A cinco (5) séculos desta Era dita cristã, tanto quanto gregos os romanos que na época escravizavam os seus próprios conterrâneos, iniciaram os seus aportes ao Norte da África, dita por eles de “terra dos povos malditos”, por inúmeros conceitos religiosos nos quais diziam crer.
Obviamente que hoje sabemos que não era somente por isso, pois havia também o interesse de lucro por trás de suas “crenças” – assim com ainda é hoje. Mas, naquele momento, foram esta as suas alegações. De princípio, negar nos a condição humana, e, consequentemente, fazer-nos de mercadorias para seus negócios.
E se “esqueceram”, nos transcorrer dos tempos, de nos abolir também de seus próprios erros e fracassos reais de suas funestas ambições e pretensões, as de transformar o mundo e torná-lo mais aprazível à vivência humana, a todo ser que a ele, o Planeta Terra, habita.
Nisto falharam fragorosamente. E somente agora começamos a descobrir que o “progresso” de seus erros é irreversível. Mas, como seres inteligentes que autodizem ser… Deveriam ter muito antes previstos… E evitado, pois isso é o que faz inteligente. O faz diferente. E agora o prejuízo é de todos nós.
As condições nas quais nossos antepassados foram transportados Oceano afora são indescritíveis, e a maioria dos nossos, contemporaneamente, já nem se lembram mais, ou o desconhecem mesmo. Portanto vamos relembrá-los, com um trecho deste livro:
“Nos primeiros tempos da proibição do tráfico, se considerava culpado um capitão se unicamente fossem encontrados escravos a bordo, motivo pelo quais alguns levaram sua falta de escrúpulo até os extremos de lançarem os negros ao mar antes da inspeção. Assim o fizeram, em 1831, o navio português Rápido e a escuna espanhola Argus, interceptados no delta do Níger. O pior drama deste tipo ocorreu a bordo do brigue inglês Brilliant. Perseguido por três naves da repressão, seu capitão, Hormann, os 600 escravos que transportava. Lançou a âncora ao mar, arrastando as infelizes atrás dela. Embora tenha ouvido os gritos de horror dos negros, os oficiais quando subiram a bordo, não puderam encontrar provas e o capitão Hormamm saiu incólume do caso” .
Não estamos transcrevendo isto com o intuito de “horrorizar” as demais pessoas nem ‘mais’ os nossos, muito pelo contrário, o que de fato queremos é “refrescar” a memória daqueles que se dizem “militantes negros” e insistem nesta estória estúpida de ‘democracia racial’. Está balela. O ser-humano não nasceu para viver em harmonia. Não somos nós que não a queremos, e sim, são eles que não a querem. Pois, partindo do princípio de que foram eles quem propôs seria de seus interesses tomar a iniciativa.
E antevendo argumentação defensiva, há de se provar, também, que os brancos atuais são diferentes. E, por que mudaram de postura? Se for que mudaram! E quanto aos negros contemporâneos, estes terão que revelar se são somente relapsos ou se somente estão com medo mesmo de encarar a realidade escancarada. “Democracia racial” é uma utopia, puro engodo.
Quanto à questão da miscigenação, que, aliás, nos “contempla” com dois principais grandes problemas, pois todo mundo sabe que ela foi impingida com o intuito de nos eliminar. Porque deste o começo que o branco discursa abertamente: “Um dia não haverá mais negros no Brasil. A miscigenação acabará com todos eles”, quem ouviu e não entendeu ou é surdo ou cínico.
E esta expressão é proveniente de uma ordem imperial, de D. Pedro II, quando tentou convencer Gobeneuo de que “dentro de duzentos (200) ou trezentos (300) anos não haveria mais negros no Brasil”. Ordem esta que é seguida à risca até os dias atuais. E sem trégua. Somente não nos “apercebemos” por que eles negam, ou por que somos relapsos e/ou acovardados, nos subtraindo deste azar do direito de defesa. Porquanto, além de crime hediondo é este também doloso.
E para não ficarmos as mercês de objetivos maliciosos e torpes o movimento negro nacional terá que dar respostas rápidas – pois 30 anos é tempo demais para se dar resposta – ao seu povo. Até por que para os brancos ele dá respostas rápidas e precisas, ao comando de suas ordens. E estas que sejam sem evasivas ou tangenciamentos, pois o povo, a História, nossos Ancestrais e Olorum clamam por elas… E já estão cansados de esperar.
E também para fazer valer o dito do “militante histórico” dos movimentos negros nacional, que diz no auge de sua “sabedoria”:
– Nós precisamos, quanto ao genocídio, preservar a nossa juventude, pois ela é a preservação de nosso futuro.
Só se esquecendo que se tudo continuar como está não haverá mais para nós futuro. E que não são somente os jovens que estão sendo mortos… E sim todos nós. Eles querem apagar com todos os vestígios de seus passados nefastos. E não intentam de maneira alguma nos indenizar, de qualquer forma, por ele.
São Paulo, 4 de outubro de 2010.
PELO CESSAR IMEDIATO DO GENOCÍDIO DO NEGRO NO BRASIL!
PELO MEMORIAL DA ESCRAVATURA NEGRA NAS AMÉRICAS!

Neninho de Obalúwáiyé