S. Paulo – Começa neste domingo a quarta edição do Festival Agosto Negro, com show no Boulevard São João, centro de S. Paulo, com as bandas Pentágono e Central Acústica, além do MC Thaíde. Além de atrações musicais, o Agosto terá festas, exibição de filmes, oficinas de grafite e duelos de DJs, em palcos espalhados pela cidade.
O Festival teve origem na década de 70, com o grupo norte-americano Black New Afrikan Liberation Movement, que realizou o primeiro Black August. De lá pra cá surgiram adaptações em países como França, Rússica, Jamaica, África do Sul e Cuba, onde o rapper Xis entrou em contato com o projeto para adaptá-lo ao Brasil a partir de 2.002.
“Decidimos fazer em agosto por causa do movimento que surgiu nos EUA, mas poderia ser em qualquer época”, diz Xis. Ele acrescenta que o objetivo é “botar a cultura na rua, que é de onde vêm o hip hop e levar shows à periferia, coisas que não tocam na quebrada”.
Segundo o rapper apesar de estar atrás de gêneros como o rock, a MPB e o sertanejo, o hip hop é um movimento engajado. “A origem do evento é mais política. Aqui, a gente age culturalmente. É legal dar exemplos de sucesso, mostrar para a molecada como se monta um palco, colocar a galera para tocar, dançar, grafitar.”, acrescentou.
O Agosto Negro vai até o dia 28 com apresentações musicais gratuitas por toda a cidade. A programação inclui shows com nomes como Helião & Negra Li, Motirô, Xis e convidados. Além dos famosos também se o Hip Hop DJ – campeonato de DJs que se tornou o mais importante da América Latina – iniciativa que acontece desde 1997 e foi assumida pelo Festival.
Previsto para acontecer na choperia do Sesc Pompéia, o HH DJ se divide em quatro eliminatórias, reunindo em cada uma representante das quatro regiões da cidade. Em 2000, o projeto revelou o DJ Nuts, que no ano seguinte tocaria com Xis e Guga Stroeter no Festival Hip Hop Havana, em Cuba.
Uma outra revelação foi King, tetracampeão da eliminatória Leste. “O campeonato é importante para todo DJ que começa na cena, porque é a única vitrine que ele tem para ficar conhecido”, diz King, que concorreu em 98, 99, 2000 e 2001 e hoje é DJ residente em quatro casas noturnas paulistanas, além de Belo Horizonte e Florianópolis. “A gente não é nenhum DJ Marky, mas o hip hop está alcançando os números da eletrônica no que diz respeito ao público”, acrescentou o músico.
Durante o mês também acontecerão festas em vários clubes da cidade, mostras de vídeo nos CEUS, Campeonato de dança e DJs, oficinas de gravite no Conjunto Cultural da Caixa Econômica e projeção de cinema ao ar livre na Praça Ramos de Azevedo, em frente ao Teatro Municipal. Junto com os eventos acontecerá um ‘debate-papo’ sobre assuntos relacionados à cultura negra.
Para os próximos anos a idéia de Xis e dos organizadores é reforçar a presença de rappers internacionais. “A idéia é promover um intercâmbio maior com músicos de Cuba, da França e dos EUA e mandar os daqui para lá”, conta Xis. “É importante saber como os outros trabalham, o que pensam. Isso mostra a força da cultura hip hop e aumenta o poder de fogo. As pessoas querem se comunicar pela música”, acrescenta.
O Festival Agosto Negro tem o apoio da Coordenadoria de Especial de Assuntos da População Negra, vinculada à Secretaria de Participação e Parceria da Prefeitura de S. Paulo. Veja a programação completa do evento no site www.agostonegro.com.br

Da Redacao