Rio Claro/SP – Centrais sindicais, o Instituto Sindical Latino Americano para a Igualdade Racial (INSPIR), parlamentares, partidos políticos e ativistas do movimento negro de várias cidades do interior de S. Paulo, farão neste sábado (13/04), a partir das 10h, no Jardim Público, no centro de Rio Claro, ato público de denúncia e solidariedade ao guardador de carros, Benedito Santana de Oliveira, atacado por uma gangue neonazista no último fim de semana.

O guardador de carros permanece internado na UTI da Santa Casa da cidade, com traumatismo craniano e lesões na face, porém, seu estado, segundo os médicos, apresenta melhoras e ele já acordou do coma.

Durante o ato, os ativistas pedirão o reenquadramento do crime e o redirecionamento da investigação. A Polícia prendeu dois dos acusados – Hélcio Alves Carvalho e Axel Leonardo Ramos, respectivamente de 20 e 21 anos – porém, os indiciou por lesão corporal culposa, quanto não há intenção, que tem penas que variam de 2 meses a 1 ano de detenção. Se mantido esse enquadramento, os criminosos poderão ser beneficiados pela transação penal, hipótese que a Lei prevê para crimes com penas inferiores a 2 anos. 

Segundo advogados ouvidos por Afropress, trata-se de um caso flagrante de tentativa de homicídio e ou tortura prevista na Lei 9.455/97, que estabelece penas muito mais pesadas. No caso de homicídio os acusados seriam julgados pelo Tribunal do Júri, como acontece nos crimes contra a vida.

Nas últimas quarenta e oito horas, a família teve boas notícias. Segundo os médicos, Benedito reagiu bem a retirada da medicação que o mantinha sedado. Os filhos do idoso, Silvio e Donizete, disseram que ele já acordou do coma e a expectativa é positiva. Contudo, por causa da idade avançada, o seu estado ainda inspira cuidados, de acordo com médicos.

Prisão em Curitiba

Por outro lado, a prisão do técnico de tecnologia de informação, Gregor Smal, 39 anos, em Quatro Barras, cidade da região metropolitana de Curitiba, pode ajudar a desvendar possíveis ligações da gangue que atacou em Rio Claro, com a células neonazistas em atuação em Curitiba, onde se encontram presos o ex-estudante da Universidade de Brasília, Marcelo Valle Silveira Mello e Emerson Eduardo Rodrigues, ambos condenados pela Justiça depois de serem presos pela Operação Intolerância, desencadeada pela Polícia Federal, em março do ano passado. Os dois presos pelo ataque ao idoso em Rio Claro também são do Paraná, da cidade de Ponta Grossa.

Segundo a Polícia, Gregor Smal mantinha um arsenal de armas de guerra e objetos usados pelo exército nazista na II Guerra Mundial, porém, alegou ser um colecionador. Os dois presos pela Polícia de Rio Claro também são do Paraná, oriundos da cidade de Ponta Grossa.

A Polícia chegou a casa do suposto colecionador, que fica na zona rural de Quatro Barras, por meio de denúncias anônimas. No local encontraram duas pistolas de um modelo usado pelos alemães na II Guerra, uma arma em forma de caneta, três armas longas e munição de diversos calibres.

Além disso, medalhas de cruz de ferro, condecorações nazistas, uma bandeira com a suástica e um soldado de chumbo, lembrando Hitler também foram encontrados.  

Preso em flagrante Smal está, desde quarta-feira (10/04), à disposição da Justiça. Segundo o delegado de Quatro Barras, Giovani Flores “o porte ilegal de arma de fogo não permitida é crimie inafiançável”.

“Estamos investigando se realmente esses objetos são de colecionador ou se ele faz parte de um grupo de radicais. Estamos atrás do computador dele para ver se tem algum registro de imagem, para a sociedade ficar tranquilizada que seja só um caso isolado de porte de arma”, relatou o superintendente. (Foto: Luiza Vaz / RPC TV – G1).
 

 

Da Redacao