Ribeirão Preto – O juiz Ricardo Montserrat, da Vara de Família de Ribeirão Preto, liberou no próprio sábado (12/12) após pagamento de fiança, os três estudantes de medicina – Abrahão Afiune Júnior, 19 anos, Emílio Pechulo Ederson, 20 anos, e Felipe Grion Trevisani, de 21 anos – presos em flagrante depois de atacarem o auxiliar de produção Geraldo Garcia, de 55 anos, um homem negro de origem humilde quando o mesmo se dirigia para o trabalho.
O juiz considerou que – mesmo tendo havido motivação racial – o crime de injúria previsto no artigo 140 do Código Penal, prevê a possibilidade de fiança. A pena prevista, em caso de condenação, é de um a três anos de reclusão e multa. Gonzaga foi agredido pelas costas quando se dirigia ao trabalho e transitava pela avenida Doutor Francisco Junqueira, em Ribeiro Preto.
Garcia disse ter ficado decepcionado com a decisão do juiz. “Quando eu soube que eles foram soltos nem acreditei. Soltaram rápido. Não esperava uma coisa dessas da Justiça”, afirmou. Ele contou que apenas uma vez, quando era menino, foi xingado por ser negro. “Depois de adulto nunca mais. Fiquei arrasado”, acrescentou.
O advogado Carlos Roberto Mancini, que defende os agressores – jovens de classe média que estudam na Faculdade Barão de Mauá – disse que os três ficaram na própria Delegacia e não chegaram a ser levados para a prisão, conforme informado inicialmente pela Polícia.”Já estão com suas famílias”, disse.
Segundo o delegado Mauro Coraucci, responsável pelo flagrante, enquanto agrediam o auxiliar com o tapete de borracha do carro, os três gritavam “Toma nego”.

Da Redacao