“Os mais de 150 negros vindos por conta própria das mais diferentes
partes do mundo, puderam tomar conhecimento da
luta contra o racismo no Brasil.
O professor Asante, da universidade de Columbia, comentou muito bem,
o final de minha palestra, ao dizer que, quando a luta pela igualdade
racial no Brasil se tornar mais conhecida internacionalmente será um
choque para os brancos e uma esperança para os negros do mundo.
Pois o que demonstrei foi que sai governo entra governo, o movimento negro conquistou uma linha de ação, baseada fundamentalmente no trabalho
efetivo e independente, muitas vezes espontâneo, mas que vem ganhado
uma estrutura, que não tem governo que possa mais tapar o sol com a
peneira.
Por iniciativa do Professor Asante, Abdias Nascimento foi homenageado
pela platéia presente pelos seus noventa anos, e foi recomendado a
criação de Quilombos, autônomos, cultural e economicamente, pelos
negros do mundo.
Também foi recomendado para os companheiros africanos de todo o mundo,
e principalmente os norte-americanos, que levássemos uma luta
internacional, e que principalmente os americanos, recomeçassem o
sonho de King e Malcom X que causaram suas mortes, de solidarizarem-se
com os negros de todo o mundo. Já recebo a notícia de que a marcha
de Washington lembrará, desta vez, a África e sua diáspora.
Companheiros e companheiras, não devemos esmorecer. O trabalho desenvolvido por nós negros nos últimos 40 anos não tem volta. Continuando a atuar nas raízes do nosso povo vamos continuar criando
nossos quilombos, onde há lugar para todos os oprimidos, na nova forma
de escravidão que se chama exclusão.
Quero manifestar o meu muito obrigado ao companheiro Januário Garcia que enviou a tempo
o material do último colóquio sobre organizações do movimento negro lá
na Seppir, no mês passado (o que me parece que era fechado, agora foi
aberto). Foram expostos durante todo o tempo do Congresso toda a
documentação mandada, principalmente as iniciativas populares negras
no Brasil.
Obrigado, pois cansei de esperar material aí do Brasil, que
não chega a nossas embaixadas, material informativo sobre nós
negros e negras brasileiras, que tem um gasto caríssimo, e que me
parecem ficam recolhidos nos porões dos Ministérios, ao invés de
chegarem às mãos do povo carente de informação.
P.S. 1: O Quilombo Brasil está aceitando doação de material informativo,
livros sobre negros do Brasil, vídeos e coisa e tal;
o que mandarem vai cair em boas mãos, ou seja, nas mãos do povo que tem
fome de saber e atuar na luta anti-racista; é só mandar que recebam.
Quilombo Brasil/Radio Mamaterra
c/o Marcos Romão
Breitestrasse 70
22767 Hamburg
Deutschland
P.S. 2:Tomo esta iniciativa de pedir socorro ao movimento, pois de dois
anos pra cá, não tivemos o prazer aqui, na Alemanha, de recebermos nem
um e-mail de nossos representantes negros no governo, nem para
comunicarem que receberam cartas de elogio; deve ser porque estou mal
acostumado aqui no exterior, onde até o Schröder, responde quando
mandamos e-mail sobre os problemas enfrentados pelo povo negro na Alemanha.

Marcos Romão