Campinas/SP – Os estudantes do Programa de Ação Afirmativa e Inclusão Social (PAAIS), da Unicamp – Universidade de Campinas – tem rendimento maior que os demais. Um aluno de medicina, por exemplo, fica até 32,9 posições à frente, é o que mostra a avaliação feita pela Comissão Permanente para os Vestibulares (Comvest) que acompanhou o desempenho acadêmico dos alunos que ingressaram no ano passado, durante todo o primeiro semestre.
Foram analisados 2829 alunos ingressantes, dos quais 931 foram beneficiados pelo PAAIS.
O PAAIS, instituído por decisão do Conselho Universitário da Unicamp (Consu), permite a adição de 30 pontos a estudantes que fizeram todo o ensino médio em escola pública e 40 pontos a estudantes que fizeram todo o ensino médio em escola pública e se autodeclaram pretos, pardos ou indígenas. A participação no PAAIS é opcional e deve ser indicada no formulário de inscrição.
O melhor desempenho é observado em 44 dos 55 cursos da Unicamp, sendo que, em 31 desses cursos essa melhora é estatisticamente significativa.
Em 29 cursos, os alunos do PAAIS tiveram não só uma melhora em relação ao desempenho obtido no vestibular, mas também um rendimento acadêmico médio maior do que os demais.
O destaque é para os cursos Física Noturno (rendimento 14,4% maior), Engenharia Agrícola (11,5%), Tecnologia em Construção Civil (9,3%), Estatística (8,1%) e Música – Composição (7,1%).
O estudo também avaliou o avanço médio de posição dos alunos do PAAIS em relação aos demais. Os cursos que tiveram maior avanço de posição são Engenharia Mecânica e Medicina (33 posições) e Engenharia Civil (32 posições).
Isso significa que, em média, um aluno beneficiário do PAAIS ingressante em Engenharia Civil, por exemplo, concluiu o primeiro semestre letivo 32 posições na frente da posição que ele ocupava na lista do vestibular. É como se um aluno do PAAIS que tivesse entrado na 50ª posição (na fila do vestibular) passasse para a 18ª posição (na fila do primeiro semestre).
De acordo com Leandro Tessler, coordenador executivo da Comvest, os resultados desmistificam a idéia de que alunos ingressantes na universidade pelo Programa de Ação Afirmativa e Inclusão Social (PAAIS) não conseguiriam acompanhar o desempenho dos demais alunos.

Da Redacao