Brasília – O baixo rendimento escolar dos alunos negros em matemática e português, em relação aos brancos, é, sobretudo, em função da discriminação que sofrem nas instituições de ensino, de acordo com a pesquisadora Mary Garcia Castro, professora da Universidade Católica de Salvador, uma das coordenadoras do estudo “Relações raciais na escola: reprodução de desigualdades em nome da igualdade”, divulgado pela Unesco e pelo Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP).
No estudo, o que mais chamou a atenção dos pesquisadores foi a banalização do racismo nas escolas de ensino fundamental e médio. A pesquisadora cita os apelidos, as piadas, as brincadeiras e, principalmente, as formas sutis de discriminação, como as maneiras que causam desconforto e comprometem o rendimento dos estudantes negros na medida em que atingem sua auto-estima.
“Há racismo nas escolas do país. E lá dentro, a maioria do corpo direcional, incluindo professores, nega que exista tal diferença. Dizem que é um problema familiar. Um erro. A escolas refletem e reproduzem a sociedade”, afirma.
Segundo ela, essa discriminação, mesmo que sutil, afeta na formação dos estudantes negros. A baixa auto-estima, a desmotivação, uma aceitação de inferioridade, a negação da identidade e o sentimento de que “não sou capaz”, acompanham as crianças e adolescentes pelo resto da vida e, por conseqüência, acabam influindo negativamente no aprendizado, refletindo nas notas mais baixas que as dos alunos brancos”, afirmou Mary Garcia.
O estudo foi feito nas escolas públicas e privadas de cinco capitais (Belém, Salvador, Porto Alegre, São Paulo e Brasília) das cinco regiões do país pelo Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Além dos números do Saeb foi realizada análise qualitativa em 25 escolas, observando-se que o comportamento nas salas de aula e nos intervalos para o recreio, incluindo entrevistas com professores, diretores e alunos.
A professora Mirian Abramovay, uma outra coordenadora do estudo, confirma que a diferença de rendimento reflete o “clima escolar”, ou seja, a forma como estudantes negros são tratados pelos demais alunos, pelos professores e pelos diretores das escolas.
Ela lembrou que são comuns os apelidos pejorativos e diversas formas de preconceito contra estudantes negros, problema que costuma ser mascarado, segundo ela, como se o racismo fosse uma brincadeira carinhosa.
Para Mary Garcia Castro, as escolas devem agir deliberadamente para combater práticas racistas: “Não se pode tratar igualmente os desiguais.”

Da Redacao