A escritora e ativista negra Alzira Rufino, presidente da Casa da Cultura da Mulher Negra de Santos, indicada para o Prêmio Nobel, dentro do Projeto Mil Mulheres para o Nobel, disse que só a indicação já é uma vitória e representa o coroamento de um trabalho de 22 anos de militância contra o racismo e as desigualdades. Fazendo um balanço da 1ª Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, ela disse que o evento “representou um momento histórico produzido pela pressão da comunidade negra”.
Embora afirmando que “a Seppir ainda não é a Secretaria dos nossos sonhos”, ela disse que a Secretaria tem um papel importante na defesa das reivindicações e pode se constituir em um instrumento de luta em favor da população negra brasileira.
O Comitê do Nobel, que fica na Noruega, e é definido pelo Parlamento do país, fará a escolha dos vencedores em meados de outubro e entregará o Prêmio, equivalente a R$ 3,5 milhões, em dinheiro, em 10 de dezembro deste ano.
Veja, a seguir a entrevista completa, concedida à Afropress:
Afropress – Como você encara a indicação para o Nobel dentro do projeto Mil
Mulheres?
Alzira – É a resposta de 22 anos na militância, na área de direitos humanos,
Com recorte de gênero e raça. Só a indicação já é uma vitória. Num país com
desigualdades sociais e de gênero que afetam a população negra e as
Mulheres; ter sido indicada já é uma vitória.
Afropress – Qual avaliação que você faz da Conferência Nacional de Promoção da Igualdade Racial, promovida pela Seppir?
Alzira – Entendo como um momento histórico, produzido pela pressão e cobrança
da comunidade negra. Isso faz parte dos caminhos para se chegar a uma
verdadeira democracia, ou seja, para que o povo negro possa dar sua contribuição
na mudança desse cenário. A SEPPIR não é a Secretaria dos nossos sonhos,
ainda. Não se faz política sem quebrar os ovos, só erra quem faz.
Afropress – Como estão os preparativos para a Marcha Zumbi +10 na Baixada Santista?
Alzira – Os preparativos para a Marcha estão a todo vapor, não só na Baixada
Santista mas também no Movimento de Mulheres de todo o Brasil. Enquanto
mulheres, estamos participando da construção desse processo. Não podemos aceitar a posição de musas do movimento, nem tão pouco a posição de Amélias, que achavam bonito não ter o que comer.
Enquanto 47% da população negra deste país estaremos na Marcha sim,
Levando nossas reivindicações políticas, sociais, humanas e culturais, envolvidas
nesse processo histórico, mostrando a cara preta e fortalecendo a luta
do nosso povo. Fazendo o show e assinando a direção por um mundo mais
justo, digno e humano.

Da Redacao