Várias são as representações e signos construídos em torno dos latinoamericanos que em dezenas de países comungam. Além da maciça fé cristã, o espirito libertário indígena e o toque do tambor afrodescendente estão na alma de seu povo. Este pedaço do mundo carrega ainda o estigma no imaginário social do planeta como um local de escasso desenvolvimento social, econômico e político e zero contribuição para a formação social da humanidade. Isso é evidenciado na forma como somos representados na literatura ou nas manifestações midiáticas, oriundas do hemisfério norte – as produções de Hollywood são provas incontestes desta visão.

Esta deformação da nossa realidade encontra na elite econômica latina, com seus complexos de inferioridade, um forte aliado no culto à baixa autoestima. Isso contribui para que nos interessemos muito mais pelo que acontece na Europa, nos Estados Unidos e até no Japão do que aqui nos nossos vizinhos. Isso é válido para países como Chile, Argentina, Peru, Uruguai, Venezuela e Paraguai, só para citar a América do Sul.

A 20ª copa do Mundo, em realização no Brasil, tem demonstrado o tamanho deste equívoco e o quanto ele é prejudicial ao desenvolvimento desses países, principalmente no quesito da percepção de mundo. Enquanto esperávamos o desempenho avassalador de seleções como Portugal, Inglaterra, Espanha e ou outras “potências” do futebol europeu com o qual vivemos conectados, nos mantivemos cegos diante do futebol praticado por países como Costa Rica, Uruguai, Venezuela e Chile, que venceram as favoritas mundiais.

Isso só reforça a ideia de que a América Latina precisa olhar mais para si e compreender o quanto este pedaço do planeta tem sido estigmatizado e discriminado – às vezes, por nós mesmos. Temos muito mais a mostrar para o mundo do que possamos imaginar, e podemos surpreender. Basta olhar para a Copa realizada aqui no Brasil, já tida como a melhor edição do evento em todos os tempos por grande parte da imprensa internacional.

 

Maurício Pestana