Rio – A prisão, por policiais militares cariocas, do ator e psicólogo Vinícius Romão de Souza, que atuou na novela “Lado a Lado”, da TV Globo, está provocando a reação indignada de ativistas e de colegas do ator, preso desde o dia 10/02, acusado de assaltar uma mulher na região do Méier no Rio.

Joel Zito Araújo, um dos mais importantes diretores de cinema, cujos filmes, como o mais recente – Raça –, abordam a temática negra protestou na sua página do Facebook. “Precisamos ter notícias do ator e psicólogo Vinícius Romão. Estou chocado em saber o que aconteceu com ele, depois de saber do absurdo de sua prisão”, afirmou Joel.

O sociólogo e ativista da Rede Mamapress e colunista de Afropress, Marcos Romão [que não é parente do ator], escreveu: "Mais um jovem negro preso ilegalmente por caminhar sozinho e à noite nas ruas do Rio. Crime: ser suspeito por ser grande, bonito, ter cabelos black power e estar bem vestido", afirmou Romão, ativista do movimento negro carioca desde os anos 80.

Preso por engano

Nas redes sociais, os amigos e a família iniciaram uma campanha pela libertação do ator. “Meu filho foi completamente injustiçado, principalmente pelos policiais, que não apuraram nada. Só chegarão para a moça assaltada e disseram. “Foi ele, não foi?” Ela acabou confirmando. Era apenas a palavra dela”, disse o tenente coronel da reserva do Exército Jair Romão, 64 anos.

Segundo Romão, Vinícius saiu da loja Toulon depois das 22 horas de segunda-feira (10/02), e caminhava para casa, a cerca de 20 minutos dali. Quando estava sobre o Viaduto de Todos os Santos, foi abordado por PMs, que ordenaram que ele deitasse no chão.

O ator foi revistado e levado algemado para a 25ª Delegacia de Polícia (Engenho Novo) e lá teria sido reconhecido por uma copeira do Hospital Pasteur, assaltada naquela noite a 600 metros de onde Vinícius foi preso.

"Ela disse que o assaltante puxou a bolsa e pulou o muro da linha do trem. Só se meu filho fosse muito burro pra voltar para o mesmo lugar", afirmou Jair Romão. "Ele sempre trabalhou e acabou de se formar em Psicologia. É um garoto muito calmo", afirmou o pai.

O advogado Rubens Nogueira de Abreu, que defende Vinícius, pediu à Justiça a liberdade provisória do ator e requisitou que as imagens de prédios vizinhos ao hospital sejam analisadas. "Testemunhas disseram que o assaltante era um cracudo, sem camisa, e carregava um saco. O que aconteceu foi uma barbaridade, um reconhecimento absolutamente inoportuno, com a vítima sob forte emoção. Com certeza, a prisão do Vinícius foi motivada por preconceito."

O delegado titular da 25.ª Delegacia de Polícia (Engenho Novo), Niandro Lima, afirmou que vai analisar as imagens dos prédios vizinhos ao Hospital Pasteur e pode pedir à Justiça o relaxamento da prisão "se for constatado que houve equívoco da vítima no reconhecimento".

 

Da Redacao