Brasília – A Associação Nacional de Empresários Afro-Brasileiros (Anceabra) quer que o Governo crie algum tipo de ação afirmativa nas licitações que vão definir os nomes das empresas que disputam as obras de reurbanização de favelas, palafitas e saneamento básico que serão executadas dentro do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento – do Governo Federal.
“Achamos que o Governo Lula deveria garantir recursos para esses projetos como uma ação afirmativa no campo econômico para as empresas de afro-brasileiros. Se não, corre-se o risco de ganharem os mesmos”, afirmou o presidente da Anceabra, João Bosco de Oliveira Borba (na foto, à esquerda, com o Presidente Lula). O PAC prevê recursos de R$ 54 bilhões nos próximos quatro anos para obras de reurbanização de favelas e saneamento básico, sendo que desse total 3,4 milhões, serão liberados até dezembro deste ano. Uma das modalidades de ação afirmativa, segundo Borba, poderia ser a adoção do critério de desempate nas concorrências.
Borba disse que entregará ao presidente até o mês de agosto, projeto padrão elaborado por uma equipe de assessoria técnica, formada por sociólogos, engenheiros e arquitetos, que trabalhará regionalmente, preparando projetos arquitetônicos para oferecer aos Governos Estaduais e Municipais. “Nós só queremos ter oportunidades, porque competência nós já temos. Se não, corre-se o risco de ganharem os mesmos”, acrescentou, aludindo ao fato de que no recente escândalo da Operação Navalha, ter ficado comprovado que boa parte das obras já tinha sido licitada e ganha pela empreiteira Gautama, do empreiteiro Zuleido Veras, preso na Operação pela Polícia Federal.
Segundo o presidente da Anceabra “a maioria da comunidade negra está nas favelas e mocambos”, e o fato de as obras serem tocadas por empresários afro-brasileiros representa um diferencial importante. “Nós temos identidade com a comunidade. Sabemos de suas aspirações, do ponto de vista familiar, cultural e comunitária”, afirmou, acrescentando que a participação de empresários afro-brasileiros na execução dessas obras acabará com a política das empreiteiras de “fazerem maquiagem” e poderá representar um fator importante na melhoria da qualidade de vida, com reflexos, inclusive, na segurança pública. “Essa será uma revolução de fato, que pode ser feita”, acrescentou.
Borba, representa os empresários negros no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, o Conselhão, órgão do Governo Federal, e integra o Grupo de Trabalho, Infra-Estrutura e Desenvolvimento que teve reunião há 15 dias com a ministra chefe da Casa Civil, Dilma Roussef para fazer um balanço das ações do PAC.
A proposta da Anceabra é abranger, num primeiro momento, 10 grandes cidades, como Guarulhos e Campinas, em São Paulo, incluindo capitais como Salvador, Brasília, Florianópolis e Campo Grande.

Da Redacao