Brasília – Os empresários e empreendedores afro-brasileiros devem aproveitar as oportunidades abertas pelo fato de Portugal ter passado a dirigir, pelos próximos seis meses, a Comunidade Econômica Européia para intensificar as relações comerciais dos países africanos de língua portuguesa com a Europa. A proposta é defendida pelo presidente da Associação Nacional de Empresários e Empreendedores Afro-Brasileiros, João Bosco Borba que, na semana passada, participou de reunião com o embaixador português, Francisco Seixas, em que o mesmo expôs os planos de Portugal para o corpo diplomático, empresários e autoridades brasileiras.
O próximo passo será a presença de uma delegação de empresários negros na Cimeira (Cúpula de Chefes de Estado) em Portugal já marcada para o dia 18 de dezembro e que deverá ter a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Segundo Borba, a aproximação com os países africanos e a intensificação das relações comerciais deve começar com a solução de um problema que se constitui num entrave para os negócios: a falta de linhas aéreas ligando os países africanos ao Brasil. Atualmente apenas Angola e África do Sul tem linhas aéreas sem escala. “Muitas vezes a ligação Brasil África, com países com a Nigéria, por exemplo, acaba demorando até 20 horas, o que acaba inviabilizando negócios”, afirmou.
Borba quer que o Governo Lula crie um Grupo de Trabalho de apoio às oportunidades de negócios de empresários negros com a África e de inserção desses países com a comunidade européia, aproveitando as oportunidades abertas pelo fato de o bloco europeu ser, pelos próximos seis meses, dirigido por Portugal. “Devemos aumentar as relações com países africanos, através de Portugal”, acrescentou.
Segundo ele, há pelo menos duas áreas em que as oportunidades de negócios são grandes: as áreas de biotecnologia e de biocombustível. O presidente da Anceabra lembra, por exemplo, o caso de Angola que, no ano passado, gerou negócios de US$ 9 milhões com o Brasil.
O PIB angolano hoje cresce à médias de 20% ao ano, uma taxa que chega a ser o dobro da China. Borba disse que, depois de três décadas de guerra civil, Angola, com uma população de 15,9 milhões de habitantes e um PIB de US$ 32,8 bilhões, transforma-se em um canteiro de obras com espaços para as empresas brasileira, com a vantagem de estar mais próxima e de falar a mesma língua.

Da Redacao