Rio – Com a vitória por 2 a 1 do Flamengo sobre o Grêmio, neste domingo (06/12) no Maracanã, seu técnico, Jorge Luis Andrade da Silva, o ex-jogador Andrade (foto), entrou para a história do futebol tornando-se o primeiro treinador negro a conquistar o campeonato brasileiro.
Andrade já havia sido campeão brasileiro atuando pelo Flamengo nos anos de 1980, 1982, 1983 e 1987 (Módulo Verde da Copa União), além do título de 1989, com o Vasco.
O campeonato teve apenas dois treinadores negros: Sérgio Soares, do Santo André e Lula Pereira – atualmente desempregado. Na série B a presença negra igualmente é rara.
Segundo o jornalista Mário Filho – que dá nome ao estádio do Maracanã e é autor do clássico “O negro no Futebol brasileiro”, de 1.947 – foram os negros que reinventaram o futebol no país, dando ao esporte características distintas do período em que era praticado apenas por filhos de ingleses ricos e aristrocratas.
Embora se constituam na esmagadora maioria nos campos, ainda são raros como técnicos ou cartolas.
Racismo
No caso de Andrade até o início do campeonato era treinador interino. Foi sub de nove técnicos até ser efetivado este ano. Segundo o também ex-jogador Júnior, agora comentarista da Globo, Andrade só não foi efetivado como técnico por racismo.
Em 2004, quando era gerente de futebol do clube, Júnior disse ter tentado efetivá-lo no cargo, porém, revela ter ouvido, em meio aos comentários sobre inexperiência do treinador, argumentos racistas contra.
“No momento de colocações de virtudes e defeitos, vieram comentários deste tipo. Além da inexperiência no cargo, diziam que era um negro sem boa dicção”, contou.
Pó de Arroz
No início do futebol no Brasil (primeira década do século passado) os times não aceitavam jogadores negros. Para driblar a proibição os jogadores passaram a esticar o cabelo e a encher os rostos de pó de arroz para se passarem por brancos, evitando hostilidades das torcidas.
Em 1.914, o jogador Carlos Alberto, do Fluminense, foi vítima dessa tentativa de disfarce. Durante uma partida do seu time com o América, a maquiagem começou a escorrer revelando a sua verdadeira cor. Passou a ser chamado pela torcida adversária de Pó-de-Arroz.

Da Redacao