S. Paulo – Maya Angelou, ou Marguerite Ann Johnson, a poeta negra norte-americana, cujo poema “Ainda assim, eu me levanto”, lido pelo ator Milton Gonçalves, literalmente, levantou a platéia de cerca de 2 mil pessoas no Teatro do Espaço Vivo, do Rio, na última segunda-feira (31/05) na entrega do Prêmio Camélia da Liberdade 2010, nasceu em St. Louis, Missouri, no dia 04 de abril de 1.928.
Criada pela avó paterna, Annie Henderson, na Califórnia, Arkansas e St. Louis, Angelou foi estuprada pelo namorado da mãe quando tinha apenas oito anos, o que fez com que perdesse a voz por anos. A voz, ela recuperou com uma ajuda de uma vizinha e com ela o amor pela literatura.
Com 17 anos, se tornou a primeira motorista negra de ônibus em San Francisco e também foi mãe solteira em um tempo em que isso beirava ao escândalo. Também foi a primeira mulher negra roteirista e diretora em Hollywood.
Carreira
No início dos anos 50, assumiu o pseudônimo famoso, firmando-se como atriz, cantora e dançarina em várias montagens teatrais que percorreram o país, como Porgy and Bess, Calypso Heatwave, The Blacks e Cabaret for Freedom.
Foi amiga de Martin Luther King Jr. e Malcolm X e ativista com ambos no Movimento dos Direitos Civis norte-americano. Nos anos 60 viajou pela África, como jornalista e professora, ajudando vários movimentos de independência africanos. Em 1970, publicou o primeiro livro, I Know Why the Caged Bird Sings, para grande aclamação, e foi nomeado para o Pulitzer Prize em poesia no ano seguinte.
Em 1993, Angelou leu um de seus poemas, “On the Pulse of Morning”, na posse de Bill Clinton como presidente;recebendo o Grammy de melhor texto recitado pela leitura do mesmo.
Atualmente, ela é professora de história americana na Wake Forest University, Carolina do Norte, e dá palestras.
Veja, o poema recitado por Milton Gonçalves nas duas línguas – Português e Inglês
AINDA ASSIM, EU ME LEVANTO
Você pode me riscar da História
Com mentiras lançadas ao ar.
Pode me jogar contra o chão de terra,
Mas ainda assim, como a poeira, eu vou me levantar.
Minha presença o incomoda?
Por que meu brilho o intimida?
Porque eu caminho como quem possui
Riquezas dignas do grego Midas.
Como a lua e como o sol no céu,
Com a certeza da onda no mar,
Como a esperança emergindo na desgraça,
Assim eu vou me levantar.
Você não queria me ver quebrada?
Cabeça curvada e olhos para o chão?
Ombros caídos como as lágrimas,
Minh’alma enfraquecida pela solidão?
Meu orgulho o ofende?
Tenho certeza que sim
Porque eu rio como quem possui
Ouros escondidos em mim.
Pode me atirar palavras afiadas,
Dilacerar-me com seu olhar,
Você pode me matar em nome do ódio,
Mas ainda assim, como o ar, eu vou me levantar.
Minha sensualidade incomoda?
Será que você se pergunta
Porquê eu danço como se tivesse
-Um diamante onde as coxas se juntam?
Da favela, da humilhação imposta pela cor
Eu me levanto
De um passado enraizado na dor
Eu me levanto
Sou um oceano negro, profundo na fé,
Crescendo e expandindo-se como a maré.
Deixando para trás noites de terror e atrocidade
Eu me levanto
Em direção a um novo dia de intensa claridade
Eu me levanto
Trazendo comigo o dom de meus antepassados,
Eu carrego o sonho e a esperança do homem escravizado.
E assim, eu me levanto
Eu me levanto
Eu me levanto.
STILL I RISE
You may write me down in history
With your bitter, twisted lies,
You may trod me in the very dirt
But still, like dust, I’ll rise.
Does my sassiness upset you?
Why are you beset with gloom?
‘Cause I walk like I’ve got oil wells
Pumping in my living room.
Just like moons and like suns,
With the certainty of tides,
Just like hopes springing high,
Still I’ll rise.
Did you want to see me broken?
Bowed head and lowered eyes?
Shoulders falling down like teardrops,
Weakened by my soulful cries?
Does my haughtiness offend you?
Don’t you take it awful hard
‘Cause I laugh like I’ve got gold mines
Diggin’ in my own backyard.
You may shoot me with your words,
You may cut me with your eyes,
You may kill me with your hatefulness,
But still, like air, I’ll rise.
Does my sexiness upset you?
Does it come as a surprise
That I dance like I’ve got diamonds
At the meeting of my thighs?
Out of the huts of history’s shame
I rise
Up from a past that’s rooted in pain
I rise
I’m a black ocean, leaping and wide,
Welling and swelling I bear in the tide.
Leaving behind nights of terror and fear
I rise
Into a daybreak that’s wondrously clear
I rise
Bringing the gifts that my ancestors gave,
I am the dream and the hope of the slave.
I rise
I rise
I rise.

Da Redacao