Porto Alegre – O zagueiro Antonio Carlos, do Juventude, pode pegar até três anos de cadeia se for condenado no processo aberto pelo Ministério Público gaúcho, por racismo praticado no jogo do último domingo, em Caxias, contra o volante Jeovânio, do Grêmio. Ao ser expulso da partida, depois de um lance violento, o jogador saiu de campo chamando o atleta do grêmio de macaco e fazendo sinais ostensivamente para o seu próprio braço indicando a cor da sua pele branca.
Nesta segunda o atleta do Grêmio e o presidente do Clube, Paulo Odone, prestaram depoimento ao sub-procurador geral de Justiça para Assuntos Institucionais, Mauro Henrique Renner e confirmaram a acusação a Antonio Carlos. A investigação deverá ser concluída em 30 dias. O sub-procurador disse que o testemunho e as imagens da RBS TV serão encaminhadas para a Promotoria Criminal de Caxias.
Como sempre acontece quando racistas são flagrados, Antonio Carlos, negou ser racista e usou o velho álibi: “Estava limpando um corte que sofri durante a semana. Não sou racista. Meus melhores amigos são negros”, afirmou. Assim, preocupado, com as conseqüências do gesto, antecipou-se na desculpa e usou outro surrado álibi: “Fiquei contente porque o César Sampaio, o Cléber, o Aldair, e várias outras pessoas que não atuam no futebol falaram para eu não ficar do jeito que fiquei. Passei uma noite em claro”, contou.
Além de cadeia, o jogador está sujeito a uma pena rigorosa da Justiça desportiva. Os procuradores do TJD da Federação gaúcha também discutiram a denúncia. A volante do Grêmio, ao contrário de Grafite que, no ano passado, desistiu do processo contra o jogador argentino, Desábato, do Quilmes, levará o caso até o fim: “Acho que você não pode julgar uma pessoa simplesmente por sua cor. No domingo, ao chegar em casa me senti humilhado pelo que ele fez. Eu neste caso vou até o fim, pois não tenho porque recuar. Se eu recuar numa situação dessas vou dar todo o motivo para ele”, afirmou Jeovânio.
Esta é a segunda vez que o Juventude se envolve num caso de racismo. No ano passado, numa partida contra o Internacional, o clube tornou-se a primeira equipe brasileira a ser punida por hostilidades racistas de sua torcida contra o jogador Tinga, do Inter.

Da Redacao