Mostrar para a nação e para seus pares ideológicos de classe, a fidelidade ao odioso projeto do agronegócio exportador em não permitir nenhum milímetro quadrado de terra para negros quilombolas, indígenas, sem terra ou para proteção ambiental?
Proteger a propriedade privada sem cunho social, Institucionalizando com seu voto um saco de maldades da direita ruralista e evangélica no Congresso, declarando guerra contra aquela porção majoritária do povo brasileiro?
O ex-presidente do STF, Cezar Peluso é vaidoso e tendencioso, acusa de imperial o Executivo, plagiando nossa oposição de esquerda. Nós [do MNU de Lutas] caracterizamos o sistema político brasileiro de ser monarco-escravista, ao invés de republicano. Entretanto o ex-ministro exerceu a sua presidência no STF, de forma autoritária e a favor dos mais poderosos. Aumentando as medidas de segurança e a repressão da casa, conforme denuncia a própria imprensa capitalista.
Mostrando-se antiético e discriminador quando ataca o ministro Joaquim Barbosa, questionando sua civilidade e maturidade na relação com advogados e demais juizes, acusando-o de “inseguro, de temperamento difícil, não sei como irá conviver, …. com os colegas. “…Como irá reagir com os advogados, pois tem um histórico desde o episódio com o Maurício Correia [ ministro aposentado do Supremo. Em 2006, Joaquim Barbosa, no Plenário, sugeriu que o então presidente do STF fazia tráfico de influência ] …Como irá se relacionar com a magistratura como um todo. Ele é uma pessoa insegura, se defende pela insegurança. Dá a impressão que de tudo aquilo que é absolutamente normal em relação a outras pessoas, para ele, parece ser uma tentativa de agressão. E aí ele reage violentamente.”
E confirmando seu preconceito: “A impressão que tenho é de que ele tem medo de ser qualificado como arrogante. Tem receio de ser qualificado como alguém que foi para o Supremo não pelos méritos, que ele tem, mas pela cor.”
O ex-ministro tem lado, quando Critica colegas STF “que tendem a posicionar-se cada vez mais alinhados com a opinião pública,” mostrando-se ai elitista e alinhado a uma comportamento hipócrita de certo magistratura burguesa de negar as suas decisões como políticas, “sem ouvir a voz das ruas” [mas de compromisso e sintonia com o direito, como se o esse não fosse eminentemente político], para justificar sua insensibilidade e decisões favoráveis aos interesses das elites e do poder econômico, e contra as causas e interesses sociais.
O ministro oscila, entre soberbo e reclamão, considerando trabalho “…penoso em termos do serviço. A gente não tem hora. As sessões são às terças, quartas e quintas. Elas começam às 2h da tarde e não têm hora para terminar.” Tendencioso e contraditório não viu problema ao marcar a votação da ADI3239 [ação de inconstitucionalidade a pedido do representante da UDR, dos ruralistas, dos latifundiários e do agronegócio, o Senador Demóstenes Torres do PFL, depois DEM, quem sabe o que será depois…] para ultimo dia do seu mandato, para ser votado até as 18 horas, pois as 19hs os ministros devem comparecer a festa de posse de uma colega no Superior tribunal eleitoral.
O pedido de vistas da gaúcha, a ministra Rosa Weber, estava combinado, cumpria um propósito de encerrar a seção pelos motivos corporativos da Casa. Pode-se especular o que quiser, mas ninguém pode afirmar com convicção de que a retirada do projeto fora feito em [ou que beneficie] a reivindicação de manutenção da constitucionalidade do decreto, ou indique uma possível vitoria dos quilombolas no STF.
Na verdade, Peluso abraçou o discurso do DEM, à direita, de que a titulação dos quilombos “ameaçam a propriedade privada” e em seguida em uma guinada reversa, tenta se apropriar do (nosso) discurso de esquerdas, atacando o comportamento do governo federal no que tange as manipulações, as contradições, ao autoritarismo, a burocracia e a incompetência, que ele também praticou no STF. Tentando confundir a todos, se descolando dos inspiradores e beneficiários do seu voto.
O alinhamento do agora doutor Peluzo aos endinheirados, o desprezo e o desrespeito do ex-ministro, para com os brasileiros desprovidos de propriedades e branquitude, fará com que seja lembrado como o presidente do tribunal que acovardado guardou seu saco de maldades contra os quilombolas e indígenas para o apagar das luzes da sua meteórica passagem pelo STF, reafirmando sua predilescência pelas altas rodas sociais do poder monarco-feudais-escravistas das elites agrárias brasileiras.
A exemplo do ex-presidente general Figueiredo, que preferia o cheiro de cavalo ao do povo, o Sr. Peluso contrariando a simbologia do cargo que estava investido, apequenou-se, e assim será lembrado como o ministro que ferindo a ética, sai atirando, preconceituoso, nos colegas, o também ministro do STF, o negro Joaquim Barbosa e na ministra Eliana Calmon, ambos reservas morais do Judiciário brasileiro por uma justiça para os 90% do povo injustiçado pelo elitista Judiciário brasileiro.
Informado [o ex-ministro] pelo ConJur de que o TJ do Rio tem um serviço de acompanhamento psicológico para juízes que se aposentam. O próprio contou, lamentando-se que “Tivemos um caso aqui em São Paulo, o do Flávio Torres, um desembargador famoso, não tinha filho, ele não fazia outra coisa na vida a não ser viver para o tribunal. Se aposentou e, dias depois, teve um enfarte fulminante. O desembargador Yussef Said Cahali teve um derrame. Ele perdeu ao mesmo tempo o cargo de desembargador e a cadeira na faculdade, por haver chegado à idade limite.”
A pergunta que não quer calar: Doutor Peluso, então é isso!? O poder era tão bom que a sua saída gera essa empáfiosa irritação com a plebe, denotando já a nostálgica lembrança dos tempos em que imperialmente sua Excia decidia: Aos amigos tudo, aos inimigos, a Lei!
Reginaldo Bispo é Coordenador de Organização do MNU-Movimento Negro Unificado e convicto apoiador da Frente Nacional em Defesa da titulação dos Territórios Quilombolas.
O título original do artigo é “Aos amigos tudo, aos inimigos, a Lei! (o voto contra os quilombolas: estado psicológico ou alinhamento ideológico?)

Reginaldo Bispo