S. Paulo/Salvador – Uma onda de protestos e boicotes a produtos e empresas que desrespeitam a população negra, entre as quais a Rede Globo, Skol e as operadoras Telemar e Vivo, marcam este 21 de março – Dia Internacional de Luta contra a Discriminação Racial, criado pela ONU, em homenagem as vítimas do massacre de Sharpeville, episódio que marcou a luta contra o apartheid na África do Sul em 21 de março de 1.960.
O principal protesto será o “Apagão do Plin-Plin”, contra a maior empresa de comunicação do país – a Rede Globo -, liderado pela Casa de Cultura da Mulher Negra de Santos e dezenas de entidades de todo o país, por causa da forma como a mulher negra foi mostrada na minissérie JK, ainda em cartaz.
O “Apagão” começou a zero hora desta terça-feira e vai até a meia noite de hoje 21 de março. A proposta é manter as TVs desligadas durante todo o dia. Cada ponto no Ibope equivale à cerca de 53 mil expectadores. Os organizadores do protesto não sabem qual o impacto na audiência da emissora.
A presidente da Casa da Cultura, Alzira Rufino disse que o protesto deve ser assumido por todas as pessoas que se indignaram com as cenas mostradas pela Globo, em que o personagem coronel Licurgo sistematicamente violentava mulheres negras e espera que a emissora, como reparação veicule programas que valorizem a cultura negra. Ela está otimista quanto aos resultados. “Apesar do desânimo do povo brasileiro, com essa ação ainda conseguimos acender as poucas brasas dentro das cinzas do descrédito popular. Tem nos surpreendido a resposta das entidades, grupos e familiares de negros e negras em sua maioria anônimas para o intitulado Movimento Negro Nacional oficial”, acrescentou.
Alzira quer sentar à mesa com a Rede Globo para exigir reparação com programas que valorizem a promoção da igualdade racial.
Organizações que integram o Fórum de Entidades Negras da Bahia também lançaram movimento de boicote às empresas Telemar e Vivo, Shopping Barra, Skol e Ricardo Eletro – que não apóiam blocos afros e afoxés no carnaval de Salvador nem as atividades educacionais e sociais dessas entidades.
Segundo João Jorge, presidente do Olodum, toda a população negra da Bahia está sendo orientada a, neste 21 de março, se abster do consumo de cerveja Skol, de usar os serviços da Telemar e da Vivo celular, evitar compras no Shopping Barra e nas lojas Ricardo Eletro, e também não consumir a maionese Hellmann’s, da Unilever.
“Temos sido consumidores passivos compramos o que nos oferecem. Estas empresas não dão importância ao dinheiro que usamos para comprar seus produtos, portanto ficará um dia, 24 horas sem ter o lucro do nosso suor e trabalho”, afirma João Jorge.
Para João Jorge esta é a primeira etapa de uma campanha civil de educação popular para os consumidores negros de Salvador 83 % da população da cidade de “Este é um primeiro aviso às empresas do setor privado do que queremos em Salvador para a comunidade negra”, concluiu.