Meus amigos e minhas amigas,

Foi publicado no Diário Oficial da União, na Sexta Feira, 15/05, a Portaria Interministerial (MEC e Ministério da Comunicação) que estabelece as diretrizes para operacionalização do Canal da Educação no âmbito do Sistema Brasileiro de Televisão Digital Terrestre – SBTVD-T. São dez artigos e muitos parágrafos que criam regras e definições da implantação do canal.

Lamentavelmente, existe a certeza de que a negritude profissional – principalmente a juventude – ficará de fora das principais funções técnicas e gestoras dessa TV. Tudo porque não existem no país políticas públicas direcionadas à negritude, instruído-a nas técnicas audiovisuais, capacitando-a como Técnico Audiovisual no mercado de trabalho ou tornando-a gestora nesse ramo de atividade.

Quem visita os centros técnicos de operações e de produção de uma emissora de televisão ou de uma produtora de cinema e de vídeo, no Brasil, tem a impressão de estar na atividade de um país Europeu. A exclusão do (a) profissional negro (a) é quase que total. A minoria que ali trabalha exerce função subalterna e não diretamente ligada ao segmento.

Para a juventude negra que deseja ingressar na carreira de cinema ou do audiovisual essa realidade ainda persiste. São raríssimas as universidades públicas de ensino do audiovisual e de cinema, em todo o Brasil. As universidades particulares e os cursos de cinema e audiovisual, que existem somente nos grandes centros, são caríssimos. Os negros e as negras, que produzem e dirigem cinema e audiovisual no Brasil, são na sua grande maioria autodidatas. Que é o meu próprio caso.

A oportunidade de um (a) jovem negro (a) estagiar numa produção de filmes, documentários ou filmes publicitários e comerciais é quase que zero. A exclusão audiovisual da negritude brasileira chega ser nefasta. É algo covarde e cruel. 

Esse hediondo limite de acesso das camadas de baixa renda – principalmente e, sobretudo, da negritude – às novas tecnologias de mídias digitais e do audiovisual é um verdadeiro e inegável apartheid profissional.

A ausência de negros e de negras nesse promissor mercado de trabalho caracteriza, além de racismo e exclusão, a incapacidade do governo, dos (as) parlamentares negros (as) e das organizações, ditas sociais. Incapacidade de criar e promover ações redistributivas de combate ao racismo e a exclusão da negritude em várias esferas sociais, culturais e profissionais. Incluam-se ai as técnicas audiovisuais.

Diante de uma situação tão aterrorizadora, governos, parlamentares negros (as), SEPPIR, movimentos negros e outras inutilidades de iguais teores, mostram-se todos muitos indignados e estarrecidos em relação aos fatos. Mas todos, efetivamente, sem políticas públicas, programas sociais e projetos de capacitação técnica e profissional no segmento audiovisual. Nenhum deles apresenta qualquer real solução para o problema.

Suas únicas e insignificantes ações resumem-se em promover debatesabrir canal de discussão e efetuar palestras patrocinadas com dinheiro público, captado por meio de orçamentos de programas de combate ao racismo e da defesa da igualdade racial. Ações que em nada favorece ou trazem conquistas para as Causas Negras e Quilombolas. Mas, para os gestores dessas organizações e movimentos…

É imperativo que programas e projetos de inclusão audiovisual e digital sejam criados e, imediatamente, implantados. A negritude brasileira não pode e nem deve – forçadamente – continuar excluída dos avanços e das novidades no campo das tecnologias desses dois segmentos.

A solução é a criação de escolas técnicas das mídias digitais e das artes audiovisuais nos Quilombos, nos municípios e nas comunidades de maioria do contingente negro. Mas falta vontade política para essas práticas objetivas serem construídas. Dinheiro para isso o país tem e não custará tanto. O derrame de dinheiro desviado das estatais, se convertido em programas e projetos sócio-profissionais nas Comunidades Negras e Quilombolas, poderia ser a solução de muitos problemas e mazelas lançadas sobre a negritude.

A implantação do Canal da Educação é uma boa noticia para o ensino e educação no país. E, também, um excelente mercado de trabalho para profissionais do audiovisual. Exceto para os negros e as negras, porque não dispõem de espaços e programas que os capacitem no segmento audiovisual.

Será uma humilhação sem precedentes se profissionais negros (as) vier ocupar espaço nesse canal de televisão – ou em emissoras de TVs abertas, por assinaturas e a cabo; e, também, em produtoras de cinema e de vídeo – por meio de cotas raciais, e não por meio de capacitação. Chega de política do coitadismo e do cala a boca negro como paliativos para a exclusão social e profissional da negritude.

Esse tipo de conquistas históricas avanços somente é comemorado pelos vendilhões da Raça. Os mesmo que estão promovendo a exclusão literária, audiovisual e cênica das personagens negras da dramaturgia nacional, consequentemente, promovendo o desemprego em massa de atrizes e de atores negro.

Abraços a todos (as)

 

 

 

Flávio Leandro