S. Paulo – As duas principais articulações de entidades negras – a União de Negros pela Igualdade (UNEGRO) e a Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN) -, ligadas, respectivamente, ao PT e ao PC do B, estão se abstendo de participação nos protestos que estão acontecendo em várias capitais do país, inicialmente contra o aumento da tarifa dos ônibus pelo Movimento Passe Livre (MPL).

O aumento do transporte coletivo determinado em S. Paulo – tanto do ônibus quanto do metrô por parte do prefeito Fernando Haddad e do governador Geraldo Alckmin-, atinge especialmente as pessoas mais pobres, moradoras na periferia, na sua maioria, negras. Apesar disso, a presença de negros na manifestação que tomou as ruas de S. Paulo nesta segunda (17/06) foi praticamente inexistente.

O protesto começou por volta das 17h, no Largo da Batata, em Pinheiros. Um mar de gente – principalmente jovens, com idade média entre 20 e 25 anos portando cartazes pedindo o cancelamento do aumento, e com críticas a Dilma, Alckmin e a FIFA, a entidade que organiza a Copa de 2014 – se espalhou pelas Avenidas Faria Lima, Berrini, Ponte Estaiada, Marginal Pinheiros e Avenida Paulista. 

Apenas o Frei David Raimundo dos Santos, diretor executivo da Rede Educafro, percorreu alguns quilômetros da manifestação em companhia de cinco alunos do cursinho, carregando uma faixa em que exigia cotas para negros da Presidente Dilma Rousseff.

Embora a principal palavra de ordem dos protestos seja o reajuste de R$ 0,20 na tarifa, as manifestações passaram a vocalizar o descontentamento popular com os gastos que estão sendo feitos pelo Governo para a Copa, a péssima qualidade da educação e dos serviços públicos, em geral, a corrupção e a política no país.

Movimento

Segundo o coordenador geral da UNEGRO, historiador Edson França, a  participação de militantes deverá está na pauta de uma reunião que deverá acontecer nos próximos dias.

“As manifestações contra o aumento das passagens demonstram que o povo está exigindo mais, a dimensão social é importante, mas não responde todos os impasses que obstaculizam o desenvolvimento da nação e do povo brasileiro. As manifestações que têm tomado as ruas de S. Paulo guardam insatisfação profunda gerada por aumento das passagens dos transportes coletivos. Há uma enorme insatisfação com os rumos que o país tem seguido”, afirmou no final da noite, em texto divulgado na sua rede social, acrescentando que a base social do movimento é a mesma juventude que “ocupou as ruas brasileiras no movimento pelas diretas-já e no “Fora Collor”.

França disse que nesta terça-feira (18/06) entidades dos movimentos sociais deverão participar de uma reunião com o prefeito Fernando Haddad para discutir propostas alternativas ao aumento da tarifa.

Lideranças tanto da UNEGRO quanto da CONEN, tem demonstrado supresa com o tamanho das mobilizações que reuniram milhares de pessoas (65 mil, de acordo com a DataFolha, só em S. Paulo). Segundo essas lideranças, que aceitam falar sob a condição de não terem seus nomes revelados, o “momento é delicado” porque o movimento parece indicar uma rejeição generalizada a situação política mantida pelos governos tanto do PT, quando do PSDB, sem que haja direção de quaisquer outros partidos, ou mesmo lideranças aptas a negociar”.

Na manifestação desta segunda-feira, Afropress acompanhou os milhares de manifestantes desde o Largo da Batata, em Pinheiros, até a Ponte Estaiada, cartão postal da cidade, tomada pelos manifestantes.

Dentre as lideranças do movimento negro, além de ativistas do PSOL, apenas o Frei David Raimundo dos Santos, diretor executivo da Rede Educafro percorreu alguns quilômetros da manifestação carregando uma faixa na companhia de cinco alunos do Cursinho. A faixa exigia cotas para negros da Presidente Dilma Rousseff.

MNU

Destoando das principais lideranças, o coordenador geral de Organização do Movimento Negro Unificado (MNU), Reginaldo Bispo, disse que não participou da manifestação em S. Paulo porque estará no protesto que acontecerá em Campinas esta semana. “Unidos, jovens, estudantes, trabalhadores, pretos, brancos, corintianos, são-paulinos, palmeirenses ou santistas, de todos os credos, estamos no caminho certo pela vitoria do povo e do Brasil, contra governantes vendidos e traidores. Contra o genocídio do povo negro”, afirmou.

Bispo disse que a repressão policial da semana passada revelou a brutalidade da PM "nos Governos Alckmin, Cabral [Sérgio Cabral, governador do Rio], e Agnelo Queiroz [governador do PT do Distrito Federal] que antes era experimentada exclusivamente por negros, pobres, indígenas, quilombolas e sem-terras". “Nos últimos 15 dias, a população destas capitais, a começar por Porto Alegre, viram a quem a segurança pública, a policia, a mídia capitalista e os Governos servem. É só rever as declarações do ministro da Justiça de Dilma, dos governadores do Rio, S. Paulo, Distrito Federal e Minas Gerais. Todos, em uníssono, apóiam a repressão policial sobre alegação de vandalismo dos manifestantes”, concluiu.

Da Redacao