S. Paulo – Passados 124 anos da Abolição da Escravidão no Brasil, Estudo feito com base em tabulações do Censo do IBGE 2010, publicadas na edição deste sábado (12/05) pelo jornal O Globo revelam que, entre as 438 profissões listadas no Censo, só em 16 – o equivalente a 4% do total – a renda média média dos pretos e pardos supera a dos brancos.

Mesmo nas profissões mais mal remuneradas – como, por exemplo, a dos pescadores, que está na lista das dez profissões de pior remuneração (R$ 396,00) – a renda média de brancos supera a dos negros em 55% – R$ 522,00 para brancos, contra R$ 337,00 para pretos e pardos. No caso das mulheres negras, o quadro é ainda pior: elas recebem apenas 39% do que recebe um homem branco. 

Juízes

No topo das profissões melhor remuneradas estão os juízes, com renda média de R$ 17 mil. Entre os juízes, só 13% são negros – a profissão de menor percentual entre todas as listadas pelo Censo. Ainda assim, ganham 14% menos, em média, do que colegas magistrados brancos. De acordo com o Laboratório de Relações Raciais da UFRJ, coordenado pelo professor Marcelo Paixão (foto), em outubro de 2011, o rendimento médio de um homem branco era 83,7 superior a de um homem negro – R$ 2.325,73, contra R$ 1.265,81 de pretos e pardos. No caso das mulheres brancas, o rendimento médio era 77,4% superior – R$ 1.660,89 para mulheres brancas, contra R$ 936,04 de pretas e pardas.

Data em branco

Mesmo tendo sido resultado de um movimento popular, dirigido por liberais brancos e negros, que colocou abaixo o II Império e forçou a instauração da República no ano seguinte a Abolição, em 1.889, mais uma vez, o 13 de maio a data passou em branco. O Movimento Negro recusa a data por considerá-la “uma farsa” de uma Abolição que não se concluiu e, celebra a consciência negra, na data da morte do maior líder negro da história do Brasil, Zumbi dos Palmares, em 20 de Novembro. Poucas entidades no país programaram algum tipo de atividade para lembrar a Abolição que, quando foi anunciada foi recebida com grandes celebrações.

Veja o vídeo http://www.senado.gov.br/noticias/tv/videos/cod_midia_167927.flv

Da Redacao