Washington/EUA – Cinquenta anos após a "Marcha sobre Washington por Empregos e Liberdade", o maior ato do movimento pró-direitos civis, e após a eleição de Barack Obama para o segundo mandato consecutivo, os negros norte-americanos continuam os mais afetados pelo desemprego (12,6% em julho, contra 6,6% entre brancos e 7,4% entre a população em geral) e se constituindo na maior parte da população carcerária nos EUA, de acordo com os indicadores mais recentes.

Mesmo representando entre 13% e 14% da população, os negros constituem 40% da população carcerária. São também a maioria entre os pobres: 26% da população afro-americana contra 14% de brancos e 11,6% da população em geral, de acordo com dados de 2011.

A Marcha

Num 28 de agosto, há exatos 50 anos, em 1.963, o pastor Martin Luther King, subiu as escadarias do Lincoln Memorial – o monumento que celebra a memória de Abraham Lincoln, o presidente que liderou a luta pela Abolição nos EUA – em Washington, para se dirigir a uma multidão estimada em 250 mil pessoas, e proferir seu mais célebre discurso – o "I have a dream" (Eu tenho o sonho), que marcaria a década de 60 e ecoa fortemente ainda hoje em todo o mundo. "Eu tenho um sonho de um dia meus quatro filhos pequenos poderão viver em uma nação onde eles não sejam julgados pela cor de sua pele, mas pela essência de seu caráter", discursou King.

Seu sonho, segundo mostram os indicadores, ainda está longe de se tornar realidade, apesar da presença de um negro na Casa Branca, eleito por duas vezes, com um discurso considerado pelos admiradores como "pós-racial". Em 2011, o percentual de negros vivendo abaixo da linha de pobreza era de 28%, número quase três vezes superior ao número de brancos 9,8%.

São esses dados que fizeram com que o Economic Policy Institute, em recente estudo tenha se referido ao ato de 1.963 como "A Marcha que não acabou". "O lento progresso na luta contra a pobreza e a segregação racial ajudaram a concentrar muitos negros em alguns dos menos desejados imóveis residenciais, nas nas comunidades comunidades com menos recursos", afirma o estudo.

Da Redacao