Vitória/ES – Flagrado em manifestação de racismo explícito, ao declarar em sala de aula sua preferência em ser atendido por médicos e ou advogados brancos, ao invés de profissionais negros, o professor Manoel Luiz Malaguti Barcellos Pancinha voltou atrás diante do escândalo provocado por suas declarações: “Tenho vários amigos médicos negros, e com os quais eu me consulto. Minha namorada é negra. Minha família tem origem moura”, afirmou, em entrevista a Folha de S. Paulo, dizendo ter sido mal interpretado.

Barcellos Pancinha está em maus lençóis desde a manifestação desastrada em sala de aula, quando comentava a política de cotas nas universidades. A Universidade Federal do Espírito Santo (UFES) o afastou por 30 dias, o Ministério Público Federal, o investiga por crime de injúria racial, após uma representação protocolada pelo desembargador Willian Silva, o primeiro negro a chegar ao Tribunal de Justiça do Espírito Santo, e o Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão da Universidade, aprovou moção de repúdio às declarações racistas.

Constrangimento

O próprio reitor Reinaldo Centoducatte disse ter ficado “constrangido”. O afastamento de Barcellos Pancinha, segundo o reitor, não é uma punição prévia no processo de sindicância já aberto – e que poderá resultar na sua exoneração da instituição – mas para preservar a integridade física e intelectual do professor, e também dos alunos, que reagiram com indignação.

Pancinha, que em entrevista na última segunda-feira (03/11) reafirmou que prefere ser atendido por um médico branco em vez de um negro, desde então se mantém recluso em casa, garante estar com insônia e ter perdido o apetite, abalado com a repercussão das suas declarações. "Peço desculpas a quem se sentiu ofendido", afirmou Pancinha, após praticar o "sincericídio".

 

 

Da Redacao