Cavalcante/Goiás – Fazendeiros goianos ameaçam tomar uma área de 253 mil hectares, destinada pelo Governo federal a comunidade Kalunga de remanescente de quilombos situada em Cavalcante, a 300 km de Brasília.
A área, segundo o Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) é rica em pedras preciosas, inclusive ouro, e é habitada há mais de um século por 4 mil descendentes da população negra escravizada.
Dois proprietários de fazendas da região conseguiram autorização do DNPM para realizar pesquisas na região e o movimento reacendeu a cobiça de outros proprietários.
A fazendeira Auriberta Alves do Nascimento Campos Silva, por exemplo, de 1997 a 2004 investiu, em parceria com mineradoras, geólogos e engenheiros, cerca de R$ 1 milhão em pesquisas.
Ela disse que já tem uma dívida de R$ 250 mil, mas descobriu uma fortuna nas terras: segundo os técnicos há mais de uma tonelada de ouro, o equivalente a R$ 45 milhões.
O povo Kalunga é remanescente de tribos da região do Congo, Sudão, Angola e outras localidades próximas à costa oeste da África. Eles foram escravizados no século 18 e trabalhavam nas minas e garimpos de Minas Gerais.
A comunidade surgiu de uma revolta dos escravos que trabalham na mineração, que escaparam para as serras de Goiás e construíram casas nos vãos dos rios, em lugares de difícil acesso. Por quase 300 anos, a existência da comunidade era ignorada e os kalungas vieram em isolamento geográfico e cultural. Atualmente, estima-se que 4 mil pessoas vivam na área localizada perto de Cavalcante (GO).
Estima-se que o primeiro contato teria ocorrido ainda na década de 1980. Quinze anos depois, o governo de Goiás demarcou cerca de 200 mil hectares para a comunidade. Em 2000, o governo federal emitiu Título de Reconhecimento de Domínio sobre a área de 253,2 mil hectares.

Da Redacao