Belo Horizonte/MG – A realização de uma ampla campanha contra o racismo e a homofobia no futebol por parte da FIFA e da CBF foi a proposta feita pela  Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN), articulação política de lideranças ligadas ou próximas ao PT e ao Governo Federal, ao comentar o episódio ocorrido com o jogador Tinga, do Cruzeiro, alvo de insultos racistas no Peru durante a partida do seu time contra o Real Garcilazo, pela Copa Libertadores da América.

“É bom ver o Brasil e as principais autoridades do futebol manifestar a sua indignação diante do racismo de parte da torcida do time de futebol peruano, mas é bom não esquecer o massacre cotidiano da dignidade humana das vidas negras que acontece diariamente debaixo do nosso nariz. É bom que o Brasil não se esqueça de como parte dos seus médicos receberam os médicos cubanos e como é o genocídio da juventude negra no Brasil, para não citar outras tragédias sociais", afirma uma Nota intitulada “Não ao Racismo!”, divulgada em tom de manifesto nesta sexta-feira (14/02).

Confira a íntegra, que é assinada pela direção executiva da CONEN e divulgada pelo sociólogo Marcos Cardoso (foto).

A Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN) manifesta o seu mais veemente repúdio ao racismo, ao preconceito e à intolerância sofrida pelo jogador de futebol Tinga.  

O Brasil é um país injusto, onde as desigualdades sociorraciais são imensas.  As elites conservadoras não aceitam a implementação de políticas que contribuam para fortalecer a democracia, distribuir renda e melhorar as  condições de vida e trabalho da maioria da população brasileira.

O Movimento Negro brasileiro é solidário ao jogador Tinga. No entanto, gostaríamos de ver essa grande manifestação da sociedade brasileira em apoio ao jogador Tinga, voltadas também para as vítimas cotidianas do racismo, da discriminação racial, da homofobia, da xenofobia e dos preconceitos de toda ordem.

É bom ver o Brasil e as principais autoridades do futebol manifestar a sua indignação diante do racismo de parte da torcida do time de futebol peruano, mas é bom não esquecer o massacre cotidiano da dignidade humana das vidas negras que acontece diariamente debaixo do nosso nariz. É bom que o Brasil não se esqueça de como parte dos seus médicos receberam os médicos cubanos e como é o genocídio da juventude negra no Brasil, para não citar outras tragédias sociais.

É nesse contexto que solidarizamos e nos colocamos ao lado de Tinga. Juntamente com outras forças sociais enfrentamos no momento aos ataques das forças conservadoras que irresponsavelmente buscam conter os poucos avanços no campo das politicas públicas conquistados com a  luta do povo negro brasileiro.

Esperamos que a FIFA e CBF – Confederação Brasileira de Futebol e os demais clubes de futebol realizem uma ampla campanha contra o Racismo e a Homofobia no Futebol.

Consolidar as mudanças dos últimos anos, ampliar as conquistas e impedir qualquer retrocesso é o horizonte dos homens e mulheres que lutam contra o racismo, que lutam pela redução das desigualdades sociorraciais e da imensa dívida histórica e social que a sociedade e o Estado tem para com a população negra do Brasil.

Por fim, no dirigimos aos companheiros e companheiras dos movimentos sociais para reafirmar que, juntos, vamos construindo uma América Latina e um Caribe mais justo, sem desigualdades, pobreza e racismo!

Direção Executiva da CONENCoordenação Nacional de Entidades Negras

Belo Horizonte – Minas Gerais, 14 de Fevereiro de 2014.

 

 

 

Da Redacao