Belém/PA – O líder quilombola Teodoro Lalor de Lima, conhecido como "seo" Lalor, presidente da Associação dos Remanescentes de Quilombo de Gurupá, no município de Cachoeira do Arari, no Marajó, foi morto na manhã de segunda-feira (19/08) em Belém, quando desembarcava para uma reunião na capital paraense de organizações quilombolas do Pará. Ainda não há informações sobre a forma que foi assassinado. O corpo foi liberado pelo Instituto Médico Legal, para ser enterrado no Marajó.

Lalor foi morto a facadas, quando se encontrava na casa de um familiar, no bairro da Cabanagem por um homem que não foi identificado. Ele estava em Belém para participar do Encontro Estadual de Quilombolas. Denildo Moraes, liderança quilombola disse esperar justiça. " A gente espera que o Estado brasileiro tome um posicionamento claro sobre isso. Porque a gente não pode deixar que esse companheiro que perdeu a vida, vire estatística. É mais um companheiro que luta no campo que foi assassinado e a gente sabe de várias omissões por parte do Estado que vem acontecendo", afirmou.

O líder assassinado foi homenageado com um minuto de silêncio, seguido de aplausos, durante a abertura do Encontro Estadual quilombola. 

Ameaças

No último dia 13 de agosto, durante audiência pública promovida pelo Ministério Público Federal (MPF-Pa) e Ministério Público do Estado, em Cachoeira do Arari, Teodoro Lima havia denunciado a perseguição de fazendeiros da região à comunidade quilombola e afirmou que ficou preso por dois meses sem acusação formal, a mando de fazendeiros que se sentem prejudicados pela demarcação das terras quilombolas. O líder quilombola declarou ainda que crianças da comunidade estavam sendo presas por colher açaí em áreas quilombolas. Ele questionou também os prejuízos sofridos pelas famílias quilombolas devido à expansão do plantio de arroz na região. 

Nesta audiência o INCRA entregou à Comunidade de Gurupá o Relatório Técnico de Identificação e Delimitação (RTID), passo fundamental para o reconhecimento do Território Quilombola. No Marajó, há mais de 40 comunidades, 17 das quais em Salvaterra e esta de Gurupá, em Cachoeira do Arari, e somente 2 tem o RTID. O fato é que as comunidades de Salvaterra e Cachoeira do Arari se sentem ameaçadas pela expansão das monoculturas do arroz e a expansão do agronegócio. 

Representantes do Colegiado de Desenvolvimento Territorial do Marajó (Codetem), da Diocese de Ponta de Pedras, da Igreja Católica, e do Instituto Peabiru visitaram o quilombo no último dia 14 de agosto para saber a situação em que vivem os mais de 700 moradores. A comunidade está alarmada e pede ajuda do Ministério Público para que os direitos da população não sejam cerceados e que haja proteção das pessoas que fazem denúncias de discriminação e opressão.

A Diocese de Ponta de Pedras, da Igreja Católica, o Colegiado de Desenvolvimento Territorial do Marajó (CODETEM) e o Instituto Peabiru divulgaram Nota em que se dizem alarmados pela escalada de violência. "Esse crime preocupa não somente a comunidade de Gurupá, mas todos os que lutam em prol dos mais desfavorecidos e oprimidos, e ofende profundamente os sentimentos de humanidade dos marajoaras e dos paraenses. Sentimo-nos solidários com todos os quilombolas e, especialmente, com os familiares de Teodoro", diz a Nota.

 

 

Da Redacao