S. Paulo – O governador tucano Geraldo Alckimin conseguiu o que, até há pouco, para muitos parecia impensável e para quase todos impossível: unir o Movimento Negro de S. Paulo contra o seu projeto de cotas – uma tentativa tardia de responder a proposta do Governo Federal, que tomou a iniciativa de adotar cotas sociorraciais nas instituições federais de ensino superior, aprovada pelo Congresso e sancionada pela Presidente Dilma Rousseff com a Lei 12.711/2912.

Mais de uma centena de entidades e mais cerca de 250 personalidades, incluidas lideranças dos partidos e do movimento sindical, além de intelectuais, assinaram Manifesto contrário a proposta de Alckmin, encaminhado ao governador e aos reitores das três universidades estaduais paulistas – a USP, a Unicamp e a Unesp.

A proposta do governador reserva 50% das vagas a estudantes oriundos da escola pública, e 35% para negros e indígenas. Segundo estimativa do projeto 60% dos selecionados passarão diretamente para a Universidade após o vestibular e 40% farão curso à distância de dois anos de duração da Universidade Virtual do Estado de S. Paulo (Univesp).

Até o presidente do Conselho da Comunidade Negra do Estado, que é ligado à Secretaria de Justiça, Marco Antonio Zito Alvarenga (foto) assina o manifesto contrário as cotas propostas pelo governador.

Black college

Após o curso de dois anos, inspirado nas black colleges americanas, os estudantes garantiriam vaga nas três universidades estaduais paulistas, quando atingissem uma média ainda a ser definida por essas instituições. Esses dois anos, porém, contariam como curso superior e serviriam como título na prestação de concursos públicos, por exemplo.

"Não aceitaremos subterfúgios", afirma o Manifesto. Segundo o professor Douglas Belchior, do Conselho Geral da Uneafro/Brasil, o modelo prejudica especialmente os negros que tenderão a ter as piores notas nos Vestibulares e serão barrados tendo que aguardar numa espécie de "sala de espera" para ganharem direito ao acesso ao ensino superior paulista.

União 

Das entidades ligadas ao Movimento Negro paulista, apenas a Educafro, do Frei David Raimundo dos Santos, não assina o Manifesto, nem participa da Frente Paulista Pró-Cotas que lidera a mobilização. David, segundo os ativistas, tem ignorado os convites para as reuniões, absteve-se de assinar e tem adotado posição alinhada à Alckmin, sob o argumento de que "melhor isso que nada".

"O importante é que os movimentos, a comunidade acadêmica e os estudantes apoiados pelo movimento social respondeu com muita contundência e o Manifesto está muito representativo", afirma Douglas Belchior.

 

 

Da Redacao