Em março de 2014, minha mulher me falou sobre um jovem soteropolitano envolvido em uma tal de Mídia Periférica. Como belas e inspiradoras histórias sempre foram o combustível do portal de notícias 1 Paporeto, decidimos conhecer melhor o trabalho do Enderson Araújo.

Ficamos impressionados com seu senso crítico, disposição para a luta e compromisso cidadão e comunitário. Afinal, um fanzine escrito por três "moleques" havia ajudado a conseguir melhorias significativas no dia a dia da empobrecida comunidade de Sussuarana, na periferia de Salvador.

Hoje, tomamos conhecimento que Enderson, reconhecido nacionalmente como interlocutor qualificado para assuntos ligados à juventude e ao jornalismo comunitário, apesar de ainda nem ter cursado faculdade na área, sumiu da internet.

A saída é o segundo capítulo de um processo iniciado com as ameaças de morte, após contundente texto criticando "mais uma" chacina perpetrada pelas forças públicas da Bahia. No estado comandado faz mais de 8 anos pelo Partido dos Trabalhadores, os jovens negros vêm sendo co-ti-di-a-na-men-te massacrados pelas forças públicas.

Enderson, que foi pai recentemente está com medo. Claro! Todos estamos. Afinal em nosso "Brasil democrático e civilizado" ser negro e além de tudo pobre, continua se configurando em uma risco de vida real!

Não queremos heróis (não existe heroísmo em ser assassinado!), muito menos mártires. Apenas cidadãos livres e com o direito de criticar o que consideram errado, para ajudar a aperfeiçoar nossa sociedade. Quer sejam eles pretos, brancos, amarelos, vermelhos, pobres, ricos, de direita, de centro ou de esquerda.

Porra, é pedir muito?
 

Rosenildo Ferreira Gomes