Manaus – O estudante de História Cristian Rocha, 25 anos, Presidente do Movimento Orgulho Negro do Amazonas, deixou na manhã de ontem o PS João Lúcio, de Manaus, onde estava internado, depois do atentado que sofreu na madrugada de quarta-feira, após sair do Centro Universitário Nilton Lins (UniniltonLins), na cidade Nova, zona Norte de Manaus.
O atentado aconteceu por volta das 22h30 quando o estudante deixava a Faculdade, onde cursa o 1º ano de História. Ao passar pelo Parque das Laranjeiras, Zona centro sul foi abordado por três homens armados em duas motocicletas. Rendido e levado para um matagal nas proximidades do Condomínio Águas Claras, foi espancado a socos e ponta-pés e obrigado a ingerir uma bebida amarga. Depois disso, os agressores mandaram que saísse correndo e atiraram.
Nenhum dos disparos atingiram Cristian. Ele foi encontrado ontem por volta das 6 horas da manhã próximo do local onde foi seqüestrado. Dentro do seu carro, um papel com timbre da Câmara Municipal de Manaus com os dizeres: “Negro bom e negro morto”.
O caso teve grande repercussão na mídia amazonense e foi manchete nos principais jornais. “Líder do Movimento Negro sofre atentado”, foi a manchete do Correio Amazonense. No Jornal “A Crítica” a manchete é “Seqüestro e Tortura” com a legenda da denúncia de crime de racismo feita por familiares e amigos do ativista.
O governador Eduardo Braga (PMDB) determinou que um delegado especial da 9º Delegacia assuma o comando das investigações. Segundo o presidente de honra do Movimento do Orgulho Negro, Juarez Silva, o Ministério Público também deverá entrar nas investigações.
Juarez contou que para registrar a queixa, familiares e ativistas tiveram de fazer uma verdadeira “via crucis” percorrendo cinco delegacias, entre as quais a Delegacia de Homicídios e o 1º DP de Manaus. Na primeira disseram que não havia viaturas; na segunda não sabiam como proceder; em outras não havia delegado de plantão para conversar.
Ontem, pela manhã, o Movimento de Orgulho Negro do Amazonas reuniu a Imprensa do Estado para denunciar o caso e exigir identificação e punição exemplar dos autores. Juarez contou que a família está tranqüila, porém, assustada.
O pai de Cristian, Crizonar Servalho, acompanhado de ativistas foi a Delegacia onde o caso está registrado – a 20ª – e na manhã de ontem, após o estudante deixar o Hospital o acompanhou ao Instituto Médico Legal para o exame de corpo de delito. Durante as 24 horas em que esteve internado, Cristian esteve sob efeito de sedativos e passou por uma lavagem estomacal.
Segundo Juarez Silva, ele não soube dizer a característica dos agressores porque os três homens estavam de capacete. Nem o Movimento Negro de Manaus nem a Polícia têm até agora qualquer pista de quem estaria por trás do atentado.

Da Redacao