São José do Rio Preto – O ativista negro José Raimundo dos Santos Silva, 24 anos, acadêmico de Direito e estagiário da Procuradoria Seccional da União, em São José do Rio Preto, cidade da região do noroeste paulista, foi agredido fisicamente e xingado com ofensas racistas por policiais militares, quando retornava de uma reunião com militantes do Movimento Negro da cidade, na última quarta-feira, 20/09.
O caso consta do Termo Circunstanciado (TC) Nº 900611/2006, registrado na Delegacia da cidade. Os policiais que abordaram e agrediram o ativista são os PMs Luiz Carlos Gonzaga e João Paim Júnior. Sem ter como justificar a violência, no TC eles acusam Silva de desacato à autoridade, fato desmentido em outro TC registrado pelo militante na tarde da última sexta-feira, 22/09, perante o delegado Humberto Pascua, do 2º Distrito Policial da cidade.
Na denúncia, os policiais são acusados de abuso de autoridade, Lesões corporais e injúria racial.
Ao fazerem a abordagem os PMs renderam o militante, o obrigaram a botar as mãos na cabeça. “Um deles chegou próximo de mim de forma violenta, dando-me uma chave de braço. Também me deram chutes e socos, enquanto me chamavam de negrinho folgado”, contou.
Foi quando Silva começou a gritar e pedir socorro a pessoas da família. Com a chegada da namorada e vizinhos, os policiais o largaram e simularam que estava resistindo à prisão.
Imobilizado, o ativista exigiu que parassem a violência, recebendo como resposta um jato de spray de gás pimenta nos olhos. A namorada e pessoas da família presenciavam a cena sem nada poder fazer. Silva acabou sendo atirado na viatura, depois de algemado com as mãos para trás.
A sessão de tortura física e psicológica só terminou com a chegada do presidente do Conselho Afro-Brasileiro de São José do Rio Preto, Altair Pereira, e do médico transplantista e militante do movimento negro, Renato Silva, que também é candidato a deputado federal.
Os policiais que atenderam a ocorrência negaram que a violência tivesse conotação racista. “Não existe racismo. Vocês negros adoram se inferiorizar. Acham que a abordagem policial é devido ao fato de serem negros, mas isso não tem nada a ver. Nós não vemos a cor na hora de abordar o cidadão”, afirmaram.
Chegaram a justificar a truculência da PM por conta dos ataques recentes do PCC. Segundo o ativista negro, a violência contra jovens negros tem aumentado muito na região. “Estamos recebendo semanalmente uma média de cinco ocorrências envolvendo violência policial contra negros e negras”, acrescenta, lembrando que muitas pessoas não denunciam com medo de represálias.
“Quando vocês verem as cenas do filmes americanos , onde policiais brancos de olhos azuis agridem negros, principalmente à noite, lembrem-se que, aqui no Brasil, especificamente em Rio Preto, estas cenas se repetem. Policiais quase europeus agredindo na calada da noite cidadãos e cidadãs negros”, acrescentou.
Silva está pedindo a solidariedade de entidades e organizações negras de todo o Estado e providências das autoridades das Polícias Civil e Militar e dos organismos dos direitos humanos. Ele teme pela sua segurança. “Confesso que estou temeroso pelas retaliações que podem vir por parte da policia , mas já que comecei , vou dar continuidade. São milhares de jovens negros que estou representando nesta causa. Eu resolvi reagi e me mobilizar”, finalizou.

Da Redacao