Rio – Militantes do movimento negro e anti-racista de S. Paulo se reúnem neste sábado, 06/01, na Apeoesp (Praça da República, 225 – Centro), das 09h às 18h, para a plenária que escolherá delegados à Assembléia Nacional de abertura do Congresso Nacional de Negros, previsto inicialmente para novembro deste ano. A Assembléia está marcada para os dias 13 e 14 deste mês, no Rio.
O Congresso, inicialmente convocado pelo Movimento Negro Unificado (MNU), organização fundada em 1.978, será o espaço do debate para as várias posições do Movimento Negro e para a busca da unidade em torno de um programa comum de lutas.
Segundo Flávio Jorge, um dos coordenadores da Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN), articulação que reúne dezenas de entidades espalhadas pelo país, embora concordando com a necessidade do Congresso, há pelo menos três pontos em torno dos quais não há acordo.
O primeiro deles é com relação ao tema central de discussões. O MNU defende que o eixo central das discussões se dê em torno da proposta de reparações. “O centro do Congresso não pode ser só reparações. Tem de ser uma leitura mais ampliada”, argumenta Flavio Jorge.
O Segundo ponto com o qual as entidades aglutinadas da CONEN têm desacordo é em relação à composição dos delegados. O MNU defende que o Congresso seja de Negros e Negras do Brasil, não necessariamente vinculados à entidades. “Achamos que não devem ser pessoas, avulsas, mas devem estar vinculadas a alguma organização”, acrescenta.
E o terceiro é em relação à data do Congresso – novembro deste ano, segundo defende o MNU. A proposta da CONEN, contudo, é que o Congresso seja realizado em julho de 2.008, quando o próprio MNU completa 30 anos de existência. “Não se convoca um Congresso desse tamanho a toque de caixa”.
Jorge também considera que a proposta inicial que deverá ser debatida no Rio, de que o Congresso dure nove meses precisa ser melhor discutida. “Quero entender melhor isso porque não conheço um Congresso que tenha durado nove meses”, finalizou.

Da Redacao