VITÓRIA/ES – Ativistas do movimento negro capixaba mobilizados pela Unidade Negra ocuparam, na tarde desta quinta-feira (23/12), a frente da loja do Supermercados Carone, em Laranjeiras, Serra, região metropolitana de Vitória.

Na loja, na sexta-feira (17/12), um homem negro foi atacado por seguranças. Sob a falsa acusação de que tentara roubar uma bicicleta, o rapaz foi dominado e espancado numa sala.

Video feito pelo professor Damian Cunha mostra a vítima se debatendo, sendo puxada pelos cabelos dreads e com a testa sangrando. Depois que começou a filmagem, o rapaz conseguiu se livrar dos algozes e desapareceu temendo represálias.

No mesmo local, no dia 29 de março de 2016, Jhonatam Barbosa, um outro homem negro de 28 anos, foi assassinado por asfixia, sob a suspeita do roubo de duas picanhas. Os seguranças foram presos, acusados de homicídio.

PROTESTO

O protesto demorou cerca de duas horas. Com bandeiras e palavras de ordem, os ativistas foram acompanhados de perto por seguranças do Carone. Alguns, portando celulares, filmaram e gravaram as falas dos ativistas.

No final, os manifestantes percorreram as dependências da loja, acompanhados de perto por seguranças que tentaram criar dificuldades para o acesso.

DENÚNCIA DO RACISMO

“Aqui está o movimento negro organizado denunciando o ato de racismo que aconteceu”, gritou um militante negro abrindo o ato.

Faixas com os dizeres “Carone racista” e o grito de guerra “povo negro unido/povo negro forte/não tem medo da luta/nem tem medo da morte” foi ouvido durante toda a manifestação.

A ativista Miriam Cardoso se disse triste e, ao mesmo tempo, esperançosa. “Parece que, no Brasil, os poderosos olham os nossos corpos negros como se ainda estivéssemos nos navios negreiros, nos tratando de qualquer jeito, nos matando. Esse povo acha que a carne negra não vale nada. A gente não tem outra coisa pra fazer senão lutar. Tenho esperança de que um dia a gente vai virar esse jogo. Tem que virar.povo negro unido/povo negro forte/que não teme a luta/que não teme a morte. Sim, mas, vamos nos manter vivos pra lutar”, afirmou.

Já Gilberto Costa, Gilbertinho, se dirigiu aos seguranças para dizer: “Nós estamos aqui para mostrar aos racistas que não vamos parar. Nós não temos medo de vocês. Se uma pessoa negra for novamente espancada. Nós viemos aqui, fizemos o nosso ato, mostramos a nossa indignação. Apontamos o dedo pra vocês mostrando que vocês cometeram um crime. Voltaremos todas as vezes que for necessário. Vocês aguardem porque todos vão responder na justiça”, acrescentou.

AÇÃO CIVIL PÚBLICA

O advogado André Moreira, do Coletivo Cidadania, Antirracimo e Direitos Humanos, anunciou que o Coletivo deverá protocolar ainda no mês de janeiro, Ação Civil Pública para que o Carone seja responsabilizado pela Justiça por dano moral coletivo.

Duas entidades do Espírito Santo – a União de Negros pela Igualdade (UNEGRO/ES), por meio do seu presidente, Wellington Barros Nascimento, e o Instituto Elimu Professor Cléber Maciel, presidido por Ana Lúcia da Rocha Conceição, já anunciaram que se juntarão as entidades que formaram o Coletivo para acionar a Justiça.