Porto Alegre/RS – Ativistas negros e antirracistas de Porto Alegre realizam nesta terça-feira, 13 de maio, para marcar os 126 anos da Abolição da escravidão no Brasil, panfletagem no centro da cidade da Carta de Porto Alegre, elaborada pelo Coletivo autodenominado Ubuntu para denunciar as consequências da abolição não concluída. No Largo Glênio Peres, centro da capital gaúcha será aberta a palavra aos manifestantes.

Amanhã, quarta-feira, 14/05, haverá desfile de uma banda que ironicamente chamam de “Banda Te vira Negão. Te vira Negona”, que desfilará pelas ruas centrais da cidade cantando músicas relacionadas às bandeiras de luta e denunciando o racismo que permanece vigente. Também haverá protesto pela postura considerada racista da maioria dos desembargadores do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, que serão submetidos a julgamento simbólico pela prática de racismo institucional.

Segundo o ativista Waldemar Lima (foto no centro abaixo), que se assume como quilombista, participante do Quilombo Político Acotirene. A concentração no dia – que os ativistas estão chamando de O Dia do Pé na bunda, será na Igreja das Dores, a partir das 16h e o trajeto seguirá pela Rua da Praia até a Esquina Democrática.

Segundo Lima, o Coletivo Ubuntu é pluripartidário, supra partidário e plurracial. “Estamos buscando seguir os princípios do Quilombismo, do Grande Ganga Abdias do Nascimento. Somos nós que estamos produzindo.

Confira a entrevista concedida por Lima à Afropress.

Afropress – Alguns setores do movimento negro preferem ignorar o 13 de maio. Como ativista como vê o significado desta data para a luta dos negros brasileiros?

Waldemar Lima – O 13 de maio foi e será sempre uma data ligada ao oficialismo. O Estado brasileiro tentou minimizar as atrocidades sofridas pelo povo negro tentando nos impingir como importante e de signficiado libertário uma data criada por “eles” e nos dada como concessão. Políticamente o 13 de maio não alterou e não se constituiu em sinônimo de libertação para o nosso Povo negro.

Afropress – O que está sendo programado em Porto Alegre para lembrar o 13 de maio. E quais os grupos que tomaram essa iniciativa?

WL – Estamos programando duas ações no sentido de mostrar para a comunidade gaúcha nossa visão quanto as datas 13 e 14 de maio. A primeira, dia 13 [hoje] vamos fazer panfletagem no centro da cidade, na Esquina Democrática de um documento intitulado “A Carta de Porto Alegre” tirada pelo nosso coletivo Ubuntu no dia 121 de março em atividade pública realizada no Largo Glênio Perez. No dia 14, estamos formando uma Banda chamada “Banda Te vira Negão. Te Vira Negona” e vamos desfilar nas ruas centrais de Porto Alegre cantandno músicas que digam respeito às nossas bandeiras de luta ao tempo em que cada organização que compõe o coletivo Ubuntu faz a entrega do seu panfleto específico. No percurso estaremos fazendo paradas para denunciar o racismo vigente em nossa sociedade.

Afropress – Como está vendo a postura do movimento negro partidário muito preso a agenda dos Governos?

WL – Lamentavelmente é histórica a cooptação do movimento negro pelos partidos políticos. Somos pautados pelas agendas “deles” às quais pouco ou nada têm em comum com a especificidade das nossas centenárias bandeiras de luta. Nossos irmãos, em sua grande maioria em cargos subalternos, se vêem obrigados a dizer sim aos seus senhorios. Independente das brigas intestinas por cargos.

Afropress – Como o movimento negro e antirracista brasileiro deve se posicionar no momento em que o movimento social toma as ruas para exigir um país melhor?

WL – Na real, quem deve tomar as ruas e exigir dos governantes posições concretas contra o racismo institucional vigente somos nós. Quem diuturnamente sofre as mazelas proporcionadas pela incúria do Estado, o assassinato em massa da nossa juventude negra, os crimes de racismo praticados em todos os segmentos da sociedade, que nos marginalizam e nos colocam no subemprego, nas senzalas dos morros das Cohabs e das prisões somos nós. Portanto esse grito contestatório deveria ser nosso.

Enquanto não temos força, nem unidade par airmos às ruas exigir nossos direitos estejamos presentes nas pautas reivindicatórias dos outros movimentos.

Afropress – Faça as considerações que julgar pertinentes.

WL – Negrada do Brasil: atitude! atitude! Ao escravizado cabe o direito de libertar-se. Quilombismo – o poder para mudar! Asé de Justiça para  nosso povo! Zumbi vive! É Rei!

Da Redacao