S. Paulo – Ativistas, professores e militantes do movimento negro e aliados da Causa da Igualdade Racial, decidiram em reunião realizada neste sábado, 29/07, na Galeria Olido, iniciar os preparativos para a realização da Parada Negra, no 20 de novembro deste ano – Dia Nacional da Consciência Negra.
A proposta da Parada é convocar todos os negros e negras paulistas, independentes de partido, grupo ideológico e ou crença religiosa para se reunirem na avenida paulista no Dia da Consciência Negra, em frente à Gazeta (Fundação Cásper Líbero), a partir das 12h, para mostrar a S. Paulo, a força de sua arte, sua cultura, seus valores e também, é claro, suas reivindicações históricas. A data é considerada feriado por Lei Municipal, em homenagem a Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares e herói nacional brasileiro.
As lideranças que se reuniram pela primeira para tratar do tema, querem que a Parada – a exemplo da Parada do Orgulho Gay – que se tornou um fato político com repercussão internacional, que pauta as agendas do prefeito e do governador, lota os hotéis e movimenta a economia da cidade – também se torne um momento de afirmação da população negra paulista.
S. Paulo é a maior cidade negra do mundo fora da África, com cerca de 3,2 milhões de afro-brasileiros. Essa presença não está proporcionalmente representada nos vários setores de atividades, em virtude da discriminação e do racismo que faz com que a visibilidade desse contingente humano só aconteça em determinados momentos como no carnaval.
Os idealizadores da Parada, querem lançar a, a partir de S. Paulo, o “Movimento Brasil Afirmativo”, de caráter nacional, e que defende a adoção das Ações Afirmativas em todos os setores de atividade, como instrumento de superação do racismo e de combate à desigualdade racial.
Para isso, pretendem combinar a mobilização para o evento com o lançamento de um Abaixo-assinado, a ser passado em escolas, universidades, associações de bairros a favor das Ações Afirmativas e das Cotas para negros e indígenas.
Todas as lideranças negras, independente de partidos ou de posições político-edeológicas, dirigentes das escolas de samba, academias de dança, organizações de mulheres, empresários, líderes estudantis e religiosos de todas as religiões, bem como os setores da sociedade comprometidas com a luta contra o racismo e a favor de um Brasil sem discriminação nem exclusão, serão convidadas a participar do processo de organização do evento.
A próxima reunião já para discussão dos primeiros passos da organização, bem como para aprovação do texto do abaixo-assinado que ganhará as ruas, acontecerá no dia 12 de agosto, das 10h às 12h, no Conselho da Comunidade Negra do Estado (Rua Antonio de Godoy, 122 – Centro). A proposta é que as reuniões ocorram em caráter de rodízio em vários lugares, como estratégia de aglutinação cada vez maior de todos os setores da comunidade negra paulista.

Da Redacao