S. Paulo – Acontece nesta segunda-feira (11/05), a partir das 19h na Igreja do Rosário dos Homens Pretos (Av. Rio Branco/Largo do Paissandu), centro de S. Paulo, a missa de sétimo dia em memória do comunicador e ativista Antônio Lúcio, considerado o decano dos jornalistas negros do Brasil.

Lúcio foi um dos mais importantes comunicadores negros e um entusiasmado defensor do intercâmbio entre o Brasil e países africanos. Durante anos, às próprias custas, manteve o Bureau PolComume – Política da Comunidade Negra – em que tratava dos temas relacionados a presença negra em S. Paulo e no Brasil.

O jornalista morreu no último domingo (03/05), em S. Paulo, vítima de câncer e seu corpo foi cremado no dia seguinte no Cemitério de Vila Alpina, na capital paulista. Deixou cinco filhas – Alessandra, Camila, Danyelle, Priscila e Cláudia – e três netos – Beatriz, Geovana e Pedro -, este último nascido há um mês.

Repercussão

A morte do jornalista repercutiu em todo o país. Ativistas negros e antirracistas lamentaram o falecimento e manifestaram pesar a família. “Não o conheci pessoalmente e não tive a oportunidade de lhe falar o quanto ele contribuiu na minha militância com as informações carinhosamente escritas e enviadas. Penso que via nesta tarefa uma missão de vida e é isto que vai ficar dele prá mim”, afirmou Conceição Domingos Vercesi, liderança negra de Botucatu.

A também ativista Izilda Toledo, de Bragança Paulista, elogiou "o jornalista, escritor e defensor das causas de nosso povo negro”, enquanto o jornalista Rosenildo Ferreira, da IstoÉ Dinheiro exaltou Lúcio como “um homem honrado e obstinado pelas coisas boas”. “Morre um pouco da honradez e das coisas boas”, destacou.

Beni Fernandes, de Cuiabá, Mato Grosso, afirmou que Antonio Lúcio “foi um homem de grandes ideias e sonhos” e “um exemplo de determinação, profissionalismo e dedicação”. “Seus artigos do Bureau Polcomune abrilhantavam o nosso cotidiano e instigavam ações efetivas de mudanças sociais”. Para a professora Sônia Ribeiro, de Taubaté, o Brasil perdeu um grande profissional de imprensa. “Sem dúvida, Lúcio deixou um legado, especialmente, para nós, os jornalistas negros”, finalizou.

Conceição Leal, da Universidade Federal de Uberlândia, Minas Gerais, disse que "o movimento negro perdeu, a família perdeu, os amigos perderam o grande ativista que sempre lutou para o avanço do processo de luta contra o racismo, nacional e internacionalmente”.

 

Da Redacao