Guarulhos/SP – O Ministério Público de S. Paulo já instaurou inquérito civil para apurar a prática dos crimes de racismo e discriminação sexual contra os responsáveis pela Associação Atlética do Curso de Medicina da Universidade Federal de S. Paulo (Unifesp) pela edição e divulgação do jornal “O Menisco – Intermed 2008”. O jornal, de responsabilidade da Associação, veiculou 69 piadas de teor racista e sexista.
A Afropress tentou contato com o presidente da Atlética, Carlos Augusto, para falar sobre o caso. Na sede da Associação, porém, uma pessoa que se identificou como Mariah informou que Augusto é o único que pode falar e que só nesta quinta-feira (16/10) estará na sede da entidade.
Crime
A abertura do inquérito foi pedida pela Coordenadoria da Mulher e da igualdade Racial da Prefeitura de Guarulhos, cidade da região metropolitana da Grande S. Paulo, que nesta quarta-feira (15/10) entregou um exemplar da publicação, para que também seja aberto procedimento criminal contra os responsáveis.
Segundo a titular da Coordenadoria da Mulher e da Igualdade Racial, Edna Roland, “as imagens são ofensivas à dignidade de negros e mulheres. Roland foi coordenadora da área de Combate ao Racismo e à Discriminação Racial da Unesco e relatora geral da III Conferência Mundial Contra o Racismo, a Xenofobia e a Intolerância Correlatas, promovida pela ONU, em 2001, na
Cidade de Durban, África do Sul.
O jornal circulou no final de agosto passado e distribuído na cidade, inclusive a entidades negras como o Centro de Referência de Cultura Negra e Igualdade Racial Xikelela, de Guarulhos, onde a Universidade mantém um campus.
O MP, depois de ouvidos os responsáveis pela publicação, poderá denunciá-los pelos crimes previstos na Lei 7.716/89, que pune o racismo e a discriminação. Se condenados poderão pegar de 2 a 5 anos de prisão.

Da Redacao