Rio – Acontece nesta sexta-feira, 16/03, às 19h, na sede da Associação Brasileira de Imprensa, o ato “Delanne, um ano de tortura social”, com o objetivo de cobrar das autoridades fluminenses o esclarecimento sobre o desaparecimento do jornalista, escritor e professor Roberto Delane, ocorrido no bairro de Santa Lúcia, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
Segundo informações da própria Polícia, Delanne teria sido morto, depois de ser levado, por engano, por soldados do tráfico. Ao ser levado estava em companhia de uma outra pessoa (um homem não identificado), que tinha uma dívida de R$ 500,00. Seu corpo, a exemplo do que aconteceu com o jornalista Tim Lopes, da Rede Globo, teria sido incinerado em um dos fornos de incineração mantidos por traficantes.
Além da ABI apóiam o ato várias instituições, entre as quais o Conselho Municipal de Defesa dos Direitos dos Negros (Comdedine-Rio), a Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB-Leste 1), a Associação dos Defensores Públicos do Estado do Rio de Janeiro, o Grupo Tortura Nunca Mais e o Memória Lélia Gonzalez, que durante o ano de 2006 integrou, juntamente com a Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro (Cojira-Rio/SJPMRJ). Foi o “GT Delanne”, que levou o caso ao conhecimento do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro.
Os organizadores pretendem insistir numa audiência com o governador Sérgio Cabral, para cobrar uma posição do Estado sobre o caso.
Quem foi Delanne
Roberto Delanne fundou vários movimentos de direitos do negro, era professor de ética e cidadania, trabalhou na Cruz Vermelha Internacional, no Egito e em Angola. Morava em Santa Lúcia, no município de Duque de Caxias (RJ), onde foi visto pela última vez no dia 16 de março. De acordo com a ocorrência registrada na 62ª DP, uma testemunha afirma que viu o jornalista na noite do seu desaparecimento e que ele teria dito que ia ao Centro de Tradições Nordestinas, no bairro de São Cristóvão, no Rio.
O drama deste desaparecimento foi registrado no livro “Sacopã – Bandeira / Herzog / Dellane – No túmulo da Cidadania”, da editora Condão, do jornalista e escritor Adriano Barbosa, lançado em 2006. Segundo o editor do livro, André Moreau, é a primeira que uma obra literária menciona o desaparecimento do professor e ativista negro Roberto Delanne.
O ato público será na Sala Belisário de Souza, na sede da Associação Brasileira de Imprensa (Rua Araújo Porto Alegre, 71, 7º andar — Centro), às 19 horas.

Da Redacao