Salvador – Com a presença do governador Jaques Wagner, de Enrique Iglesias, da Secretaria Geral Íbero- Americana, do representante do PNUD no Brasil, Jorge Chediek, do prefeito de Salvador, João Henrique, e da ministra chefe da SEPPIR, Luiza Bairros, foi aberto na manhã desta quinta-feira (17/11), no Auditório Yemanjá, do Centro de Convenções da Bahia, o Encontro Ibero Americano do Ano Internacional dos Afrodescendentes – Afro XXI.
O Encontro prossegue até sábado (19/11) e reúne representações dos 18 países íbero- americanos – 16 das Américas, sendo 10 da América Latina, e dois da Europa (Portugal e Espanha), além de quatro chefes de Estado. Hoje e amanhã acontecerão reuniões e mesas temáticas, com especialistas, pesquisadores e gestores públicos.
Manifestação
A ministra Luiza Bairros, que no dia anterior se ausentou do Fórum da sociedade Civil alegando ter outros compromissos, desta vez fez parte da mesa e foi recepcionada com gritos de entusiasmo de ativistas negros. “Eu fico um pouco perturbada de como começar…”, reagiu Bairros.
A solenidade foi aproveitada pelos apoiadores da ministra para uma manifestação política em defesa da manutenção da SEPPIR e de sua gestão, alvo de críticas de amplos setores do movimento negro – inclusive na Bahia – descontentes com sua gestão à frente da Secretaria e com o seu perfil considerado “fechado e pouco aberto ao diálogo”.
Com aplausos entusiasmados puxados pelo titular da Secretaria de Promoção da Igualdade, Elias Sampaio, boa parte dessa militância – que uma liderança negra da Bahia chamou de “claque” organizada por pessoas ligadas ao deputado Luiz Alberto – saudou a ministra.
Os aplausos foram considerados por Wagner como “uma manifestação inequívoca de que se quer a manutenção da Seppir”.
“Serei portador do aplauso a Presidente Dilma. Transmitirei a ela a manifestação desse encontro”, prometeu o governador que, ao falar, fez longa saudação a Makota Valdina Pinto, do Terreiro Tanuri Junsara e uma das principais lideranças religiosas da Bahia.
Wagner chamou a Bahia de “a cidade mais africana fora da África” e o Encontro como “uma festa para promover cada vez mais a igualdade de direitos e oportunidade e o combate a qualquer tipo de discriminação, em especial a discriminação racial”.
Terminou anunciando a disposição de encaminhar à Assembléia Legislativa projeto de Lei criando cotas no serviço público e com uma frase de efeito: “É mais fácil construir prédios do que derrubar o prédio dos preconceitos”, disse parafraseando frase conhecida de Einstein.
Reflexão
Para a ministra, a realização do Afro XXI, em Salvador, cria “a possibilidade de uma reflexão ampla pegando todas as contribuições que foram levantadas nos encontros anterfiores e principalmente pensar no que se pode projetar para os próximos anos”. Luiza destacou os “mecanismos institucionais poderosos que o Brasil criou e, infelizmente, não encontram paralelo em outros países”.
O resultado dos debates do Encontro será entregue aos chefes de Estado, que se reunirão no sábado (19/11) no Palácio da Aclamação para lançar a Declaração de Salvador – o documento final com diretrizes, inclusive da Carta de Salvador, com as contribuições de entidades da sociedade civil, para políticas públicas de todas as nações ibero-americanas.
Valor civilizatório
Antes de Wagner e de Luiza falaram a embaixadora Vera Machado, do Ministério das Relações Exteriores, que faz parte da organização do encontro, em nome do Governo Brasileiro, juntamente com a SEPPIR. A embaixadora citou dados da situação dos afrodescendentes no Brasil e encerrou defendendo que se “acolha a diversidade como valor civilizatório”.
A solenidade de abertura do Encontro foi encerrada num clima de emoção com o cantor e compositor Lazzo Matumbi cantando, à capela, Nkosi Sikelel’ iAfrika, o Hino da África do Sul.
Veja vídeo – Jornal A Tarde/Salvador

Da Redacao