Cuiabá/MT – Lideranças políticas negras e anti-racistas que se solidarizam a luta dos quilombolas de Mata Cavalo, Mato Grosso, realizam nesta terça-feira (10/06), às 14h, na Praça Alencastro, centro de Cuiabá, ato em favor da regularização de suas terras, reivindicadas por fazendeiros.
O ato, convocado pela Rede Mato-Grossense de Educação Ambiental (Remtea) também servirá para manifestar a solidariedade às lideranças quilombolas presas durante a resistência à desocupação de suas terras, determinada por ordem judicial, na semana passada. Oito famílias quilombolas residentes na Fazenda Estiva, no Município de Nossa Senhora do Livramento, a 42 Km de Cuiabá, foram expulsas por decisão da Justiça atendendo a pressão dos fazendeiros.
Protesto
No manifesto que lançou, a Rede afirma que a propriedade em questão “foi dada como terra dos quilombolas pelo INCRA”. Segundo os organizadores, a manifestação tem o objetivo não apenas de protestar especificamente contra o despejo, mas também de chamar a atenção para a necessidade de que “a justiça social e ambiental seja capaz de regularizar todas as terras quilombolas, com respeito aos direitos legais de terra e, essencialmente, às identidades negras para o restauro da herança africana no mosaico da brasilidade”.
Além da Remtea, assinam o manifesto Quilombo Mata Cavalo; a Rede Axé Dudu; o Grupo Pesquisador de Educação Ambiental, da UFMT; a Associação de Ecologia de Mato Grosso-AME; a Associação Rondopolitana de Proteção Ambiental-ARPA; a Associação da Voz Animal-AVA; o Coletivo Jovem de Mato Grosso-CJMT; o Movimento Artista pela Natureza; o Centro de Pesquisa do Pantanal-CPP; e o Movimento Panamby.
Despejo
Na última quarta-feira, 04 de junho, quilombolas foram retirados de suas casas, depois que oficiais de justiça, juntamente com agentes da Polícia Federal, cumpriram decisão judicial que determinava a desocupação da área da comunidade de Mata Cavalo.
No cumprimento da ordem de despejo, três quilombolas foram presos: Gonçalina Eva de Almeida e Silva, Adenito Alves e Emiliano Venâncio e Santos. Todos foram libertados, após intervenção da Fundação Cultural Palmares e da Advocacia Geral da União.
Comunidade
Mata Cavalo foi reconhecida como remanescente de quilombo pela Fundação Cultural Palmares em 1999. Na área de 14.690 hectares vivem 418 famílias. Desde 2003, a comunidade sofre ações judiciais de reintegração de posse por parte dos fazendeiros que reivindicam a propriedade da área.

Da Redacao