S. Paulo – Contrariando a resistência de setores do movimento negro que abandonaram a defesa do Estatuto e apostam na desmobilização, o Movimento Brasil Afirmativo, a Rede Educafro e o Instituto do Negro Padre Batista e mais uma dezena de entidades do movimento negro e anti-racista realizam nesta sexta-feira, às 19h, na sede da Educafro (Rua Riachuelo, Centro) o ato público de lançamento do Fórum SP da Igualdade Racial.
O Fórum foi proposto como um espaço para reunir todas as entidades negras e setores anti-racistas que querem mobilizar a sociedade para pressionar o Congresso a votar o Estatuto da Igualdade Racial (projeto do senador Paulo Paim) e o PL 73/99, que cria cotas para negros e indígenas nas Universidades.
Os deputados Carlos Santana, do Rio, e Janete Pietá, de São Paulo, respectivamente presidente e secretária executiva da Frente Parlamentar da Igualdade Racial na Câmara Federal, ambos do PT, já confirmaram presença no ato. O diretor executivo da Rede Educafro, Frei Antonio Leandro da Silva, disse que o ato de lançamento do Fórum terá magnitude suficiente para extrapolar S. Paulo e ganhar todo o Brasil para a necessidade de mobilização em defesa do Estatuto.
“A minha expectativa é que vamos conseguir maior visibilidade e impactar a sociedade e os movimentos sociais. Vamos ganhar outros setores para interagir conosco. Esse Movimento, com certeza, ganhará o Brasil”, afirmou Frei Leandro.
O advogado Sinvaldo Firmo, do Instituto do Negro Padre Batista, disse que o ato de lançamento do Fórum será um marco histórico e de resistência na luta por igualdade racial. “Nós estaremos levantando bandeiras de luta são as bandeiras da população negra e vamos sensibilizar a sociedade e cobrar do Congresso a aprovação desses projetos que são de grande importância para a população negra brasileira”, acrescentou.
Para o ato, além de militantes e ativistas favoráveis à mobilização da sociedade para fazer pressão sobre o Congresso, foram convidados deputados da Assembléia Legislativa de S. Paulo e representantes do Poder Público, bem como figuras emblemáticas na defesa dos direitos humanos como o ex-ministro José Gregori, presidente da Comissão Municipal de Direitos Humanos de S. Paulo. O presidente da OAB São Paulo, Luiz Flávio Borges D’Urso foi convidado. O presidente da Comissão do Negro e Assuntos Anti-Discriminatórios (CONAD), Marco Antonio Zito Alvarenga, já confirmou presença.
Paim se solidariza
O senador Paulo Paim foi convidado, porém, não poderá comparecer por conta de compromisssos no seu Estado. Paim mandou ofício ao editor de Afropress, jornalista Dojival Vieira, e comentou os atos realizados no final do mês passado, em S. Paulo. “Foi uma bela experiência ter participado do lançamento em favor das 100 mil assinaturas para aprovação das cotas e do Estatuto da Igualdade Racial. São Paulo demonstra maturidade nessa conquista que tanto almejamos e lutamos. Gostaria de poder estar em todos os lugares e de repetir a experiência emocionante que tive com vocês, mas minha agenda não permite. Saibam vocês todos que estarei de coração e de alma, pois este ideal nos une de maneira ímpar. Manifesto meu sincero desejo de que seja um evento com sucesso absoluto.”, afirmou Paim na correspondência.
Mobilização
O Fórum SP da Igualdade Racial, a partir do seu lançamento deverá formar uma rede de mobilização, com responsáveis pela coleta de assinaturas em todo o Estado. Na capital, os Núcleos da Rede Educafro, já estão mobilizados.
No interior, cidades como Catanduva, Bauru, Botucatu, São José do Rio Preto, Ribeirão Preto e Piracicaba já começaram a se mobilizar para coletar 100 mil assinaturas. No Movimento Sindical, o Sindicato dos Comerciários, por determinação do presidente Ricardo Patah, que deverá assumir no mês que vem, a presidência da nova central – a UGT – União Geral dos Trabalhadores, orientou os diretores de base a encorajar a mobilização para a coleta.
A proposta é no dia 06 de agosto fazer uma reunião final de balanço e contabilidade das assinaturas e acertar detalhes da viagem à Brasília para a entrega aos presidentes da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia, e do Senado, Renan Calheiros.

Da Redacao