S. Paulo – Sem a presença de nenhuma das entidades do movimento negro oficial e ou ligada a partidos políticos, ativistas do movimento cultural e de mulheres negras realizaram nesta sexta-feira da Paixão (18/04), ato de protesto “Paixão de Cláudia” para lembrar a morte da assistente de serviços gerais Cláudia Ferreira, assassinada no dia 16 de março, no Morro da Congonha, e depois arrastada por mais de 300 metros por uma viatura da Polícia Militar do Rio.

O caso chocou o país, teve grande repercussão nos principais veículos da mídia e nas redes sociais, porém, até esta Sexta-feira Santa não havia ocorrido quase nenhuma reação do movimento negro oficial. 

O viúvo Alexandre Fernandes Silva, 42 anos, veio de ônibus do Rio a convite dos organizadores e disse que a presença das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), o principal instrumento de propaganda da política de segurança do Governo do Estado do Rio não mudou a realidade dos morros e favelas cariocas. “Tem comunidades que a UPP trata o morador da mesma forma que antes. Nada mudou”, disse.

 

Cláudia era mãe de quatro filhos e educava mais quatro sobrinhos, hoje todos órfãos. Os policiais que a arrastaram estão presos e respondem a processo. Na semana passada o Governo do Rio anunciou uma indenização a Alexandre e aos filhos. Os valores não foram divulgados.

Metáfora

Com os participantes trajando roupas negras e realizando performances culturais, o ato teve início em frente à Igreja da Consolação, no centro, por volta das 14h e seguiu até a Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos. Em frente à estátua da Mãe Preta foi feita uma oferenda de rosas vermelhas:

“O ato tem como propósito falar não só sobre o que aconteceu com a Cláudia, mas também com toda a população negra que enfrenta diariamente a negligência dos governos. É uma metáfora às mulheres negras que tanto sofreram em nome de outras pessoas, filhos, maridos, sobrinhos, várias gerações sustentadas por elas”, disse Nina Vieira, do Coletivo Manifesto Crespo e Roda da Mãe Preta, que participou da organização.

Adriana Gonçalves, outra participante do ato, que terminou à noite no Largo do Paissandu com a apresentações de grupos de danças tradicionais como o Jongo, artistas do Rap, DJs e dança, disse que casos como o ocorrido com Cláudia demonstram como a população negra é tratada no Brasil. “Temos a memória muito curta. Não podemos deixar que isso não passe de uma comoção momentânea”, destacou.

 

Da Redacao