S. Paulo – A Audiência Pública convocada pela Frente Parlamentar pela Igualdade Racial, Comissão dos Direitos Humanos da Assembléia Legislativa e por dezenas de entidades negras e movimentos sociais, que acontece das 14h30 às 17h30 desta quarta-feira (09/06) deverá se transformar no mais veemente grito de protesto contra a violência da PM que, segundo as entidades, tem atingido indiscriminadamente a juventude pobre, em especial, os negros.

Além da morte dos motoboys Eduardo Luiz Pinheiro de Souza e Alexandre Menezes dos Santos – ambos assassinados por policiais militares – o primeiro sob tortura e o segundo a pancadas em frente a sua casa e na presença da mãe -, em um espaço de tempo inferior a 30 dias, agora surge o caso do ajudante de pedreiro Cristiano da Silva, que teria sido assassinado a tiros por PMs em circunstâncias suspeitas, segundo a denúncia da mãe ao Conselho Especial de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana.

No primeiro caso, os policiais militares permaneceram 30 dias presos, porém, já estão soltos e respondem ao crime em liberdade. No segundo, os envolvidos ainda cumprem prisão disciplinar no Presídio Militar do Barro Blanco. A Audiência, tem como tema “Violência institucional e o Estado racista: as ações das Polícias no Estado de S. Paulo”, acontecerá no Plenário Paulo Kobayashi, no prédio novo da Assembléia Legislativa no Parque Ibirapuera.

Segundo Raphael Pinto, um dos dirigentes da Coordenação Nacional de Entidades Negras (CONEN), o protesto marcará a posição do Movimento Negro no sentido de exigir um basta a violência. Os pais e familiares dos dois motoboys mortos, além de Jonas Santana – ex-policial aposentado – também foram convidados e confirmaram presença.

Douglas Belchior, da Coordenação da União de Núcleos de Educação Popular para Negras/os e Classe Trabalhadora (UNEAFRO), disse que a Audiência será mais um momento na mobilização iniciada desde o ano passado pelo Movimento Negro e Movimentos Sociais que não aceitam mais a violência adotada pela Polícia Militar nas abordagens. A Audiência e o protesto desta quarta-feira já conseguiu reunir um raro consenso: todas as entidades do Movimento Negro – CONEN, UNEGRO, Círculo Palmarino, Movimento Negro Unificado, Agentes Pastorais Negros (APNs) – se uniram para exigir um paradeiro à violência.

Da Redacao