S. Paulo – Áudios a que Afropress teve acesso revelam que foi o Frei David Raimundo dos Santos, o articulador e patrocinador do acordo que terminou com a assinatura do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), em que o Carrefour aceitou pagar R$ 115 milhões à título de indenização pela morte do soldador João Alberto de Freitas, por seguranças numa loja da marca francesa em Porto Alegre.

O Acordo anunciado na última sexta-feira passou a ser contestado por lideranças negras que não foram ouvidas e por Hamilton Ribeiro, advogado da viúva Milena Freitas, para quem a família receber menos do que os advogados da Educafro representa “um deboche, um escárnio, um tapa na cara de um sistema de justiça que está muito errado”.

Mais de 80%  do valor do TAC – R$ 74 milhões – será destinado a distribuição de Bolsas de Estudo, dos quais apenas 30% para o Rio Grande do Sul. A palavra final sobre os beneficiários dessas bolsas será de uma banca de sete membros, formada pela Educafro e Centro Santo Dias e o próprio Carrefour, além das entidades públicas que participaram das negociações iniciadas logo após o assassinato – o Ministério Público do Rio Grande do Sul e da União, Defensoria gaúcha e da União e mais o Ministério Público federal do Trabalho.

No áudio é possível constatar que o frei busca dar uma ressignificação religiosa ao assassinato bárbaro praticado por seguranças do Carrefour e que chocou o Brasil e o mundo pelo nível de brutalidade.

Beto Freitas foi assassinado perante as câmeras de vídeo e com sua mulher, Milena Freitas sendo impedida por funcionários do Carrefour de socorrê-lo.

Entre outras coisas, o frei afirma que  algumas mortes tem o poder de trazer vida. “O caso João Alberto mostra o quanto algumas mortes tem o poder de trazer vida, vida e mais vida, consciência, consciência e mais consciência, garra, garra e mais garra, luta, luta e mais luta”.

Confira o áudio e veja qual é a visão do religioso, responsável há décadas por uma das mais importantes entidades negras do Brasil.

“O caso João Alberto na visão do Frei David que vos fala, na visão da Educafro entidade que dirijo a nível nacional, o caso João Alberto mostra o quanto algumas mortes tem o poder de trazer vida, vida e mais vida, consciência, consciência e mais consciência, garra, garra e mais garra, luta, luta e mais luta.

Eu entendo que o caso João Alberto é um desses momentos em que passa uma energia cósmica e faz com que um fenômeno gere mudanças, gere repensar, gere replanejar, reformatar e refazer toda uma maneira de lutar da comunidade negra. Então, João Alberto, você partiu mais a energia que gerou da sua morte está transformando o Brasil para melhor. Então, João Alberto, descanse em paz João Alberto, e eu tenho certeza que sua morte não foi em vão”.