S. Paulo – A presença de goleiros negros tem aumentado no futebol brasileiro, segundo informa o jornalista Paulo Guilherme, autor do livro Goleiros – Heróis e Anti-heróis da Camisa 1, com base em levantamento feito nos elencos das equipes divulgados no Guia Placar do Brasileirão: nos últimos anos o percentual pulou de 12,5% para 31%. 

No livro, Guilherme revela que, do primeiro jogo da seleção brasileira, em 1.914, até 2006, 92 goleiros foram convocados e apenas 12 eram pretos ou pardos, ou seja, negros.

A presença de goleiros negros e pardos na elite do futebol, segundo Guilherme, vem aumentando a cada ano: em 2004, eles eram 12,5%, em 2005, 18% e 2006, 20,5%. Em 2010, os goleiros negros já eram 25%, em 2011, 25% e este ano o percentual chega a 31%.

Apesar do aumento a presença negra no gol está muito abaixo da presença nas demais posições em campo: na linha a presença negra chega a 53%, 2,3 pontos percentuais a mais que a presença negra na população que, segundo o Censo do IBGE 2010 é de 50,7%.

A explicação para isso, segundo pesquisadores está no trauma sofrido por Moacyr Barbosa, o Barbosinha, o goleiro do time da seleção de 50, que perdeu o título mundial para o Uruguai, em pleno Maracanã.

"Recebi uma pancada não física, mas moral, no jogo final da Copa, já que eu entrara no gramado duas horas atrás como campeão mundial, e agora saía como vice-campeão, ou seja, nada, nem dinheiro, nem medalha, nem homenagem, nem carro, nem terno sob medida para mim da loja Adonis, nem carinho do povo." Diria Barbosinha, que tinha 29 anos à época, e jogava no Vasco da 

Barbosinha acabaria por ser responsabilizado pela derrota do que seria o primeiro grande título da seleção brasileira e os times passaram a evitar contratar goleiros negros. O primeiro a romper com o tabu foi Dida (foto), em 2006. Foto: Uol – Esporte.

 

 

Da Redação