Salvador – Enquanto a luta por ações afirmativas e cotas avança pelo país, com alguns retrocessos como no caso da Federal do Espírito Santo (veja matéria em Afropress), na Bahia, estudantes cotistas com apoio das entidades do movimento negro baiano, deram um passo adiante: eles querem, além de ampliar as cotas, discutir a permanência dos cotistas na Universidade.
“Queremos garantir que o sistema de cotas seja ampliado. Não deve garantir apenas o ingresso na universidade e sim à permanência por toda a graduação. No projeto da Universidade Nova não há garantia de que o aluno cotista possa cursar a segunda etapa do processo que diz respeito à formação profissional específica”, afirmou Vanessa Cruz, integrante do Diáspora- Núcleo de Cotistas da Ufba, ao comentar o projeto proposto pela direção da Universidade Federal da Bahia (Ufba).
Na última sexta-feira (17/08) cerca de 400 estudantes tomaram as ruas da Graça e o Corredor da Vitória, numa manifestação que saiu da Faculdade de Direito na Graça até a Reitoria da Universidade, durante toda a manhã.
Com um apitaço, carro de som e muitas faixas de protesto, os estudantes gritaram palavras de ordem pedindo a ampliação das cotas e exigiram participar da elaboração do Projeto Universidade Nova, concebido pela Reitoria, que pretende eliminar o Vestibular como critério de processo seletivo e adotar um novo modelo de formação profissional.
A manifestação terminou por volta das 12h20, quando os estudantes invadiram o prédio e o Salão Nobre da Reitoria. No final uma comissão de 18 entidades foi recebida, às 13h05, pelo reitor, Naomar Monteiro de Almeida Filho. “Desde o início do processo sentimos falta de uma resposta da sociedade sobre o assunto. A participação será bem vinda, pois a Ufba ainda precisa ampliar muito as discussões sobre as cotas”, disse o reitor. A primeira reunião está prevista para esta segunda-feira (20/08), das 14h às 17h, com uma equipe técnica da Universidade.

Da Redacao