Rio – Em nota divulgada após a manifestação de entidades negras e anti-racistas na quinta-feira, o Banco Itaú atribuiu a morte do jornaleiro Jonas Eduardo dos Santos de Souza “a uma fatalidade” e disse que tem oferecido apoio e solidariedade aos familiares da vítima.
Jonas, que era cliente do banco, foi executado no último dia 22 de dezembro pelo segurança Natalício de Souza Marins, que se encontra foragido com prisão preventiva decretada, após ficar retido na porta giratória de uma agência no centro do Rio.
O Banco se defende dizendo que o “compromisso de compartilhar e praticar valores morais sólidos faz parte da história do Itaú. O respeito ao ser humano e à diversidade, o comportamento ético, o estrito cumprimento das leis são princípios que fundamentam a cultura e direcionam a atuação do banco”.
Segundo o texto, tais princípios fazem parte do código de ética da empresa, “que repudia qualquer atitude que discrimine pessoas em função de gênero, etnia, raça, religião, classe social,
incapacidade física ou qualquer outro atributo”. Acrescenta que “tal orientação é explícita no material de treinamento fornecido às empresas de segurança que o banco contrata e integra a política de segurança da corporação”.
O Itaú lembra ainda as ações afirmativas realizadas há vários anos como parte da sua política de responsabilidade social, “através de programas específicos de treinamento para afrodescendentes” e acrescentou que, “só em 2006, 28% dos funcionários admitidos são
afrodescendentes, percentual que vem crescendo a cada ano”.
O assessor do Banco, Paulo Marinho, disse que Jonas ficou apenas três minutos na porta giratória como mostra a fita de controle e deu outra versão à discussão seguida do disparo feito pelo segurança da agência. Segundo Marinho, após mostrar seu cartão, o cliente teve sua entrada autorizada pelo gerente:”Ao entrar na agência, ele já partiu diretamente para cima do vigilante, que também é negro, agredindo-o sem parar. O vigilante sacou a arma, tentando intimidá-lo, mas não adiantou. As agressões continuaram. Infelizmente, o vigilante acabou atirando”, concluiu.
Testemunhas, no entanto, descreveram o segurança como truculento e que já havia criado problemas com clientes, inclusive com o próprio jornaleiro, e que o fato seria de conhecimento da gerência.

Da Redacao