Brasília – A Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) apresentará à Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, em reunião agendada para o dia 13 de dezembro, o projeto completo do Mapa da Diversidade, que trata da inserção de negros no setor bancário. O Mapa é uma resposta às ações movidas pelo vice-procurador geral do Ministério Público Federal do Trabalho Otávio Brito Lopes contra as cinco principais instituições financeiras do país que praticamente não empregam negros.
A promessa foi feita pelo diretor de Relações Institucionais da Febraban, Mário Sérgio Vasconcelos, na audiência pública promovida nesta terça-feira (24/10) pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados. Segundo Vasconcelos, que apresentou um esboço do Mapa, a elaboração do projeto exige algum tempo para o início da discussão entre os vários interlocutores.
Na audiência, que não contou com a presença de nenhum dos deputados da Comissão – o presidente Luiz Eduardo Greenhalg (PT/SP), não reeleito, mandou recado pelo assessor Márcio Carvalho ter viajado para uma atividade da campanha pela reeleição do Presidente Luis Inácio Lula da Silva -, o advogado Humberto Adami, presidente do Instituto de Advocacia Ambiental e Racial (IARA), do Rio, rejeitou enfaticamente a defesa da interrupção das ações feita pelo Frei David Raimundo dos Santos, da Rede Educafro.
“Quero reafirmar que o MP não deve parar o ajuizamento das ações que tem sido o motor da revolução dessa sistemática. Essa mudança (na posição dos bancos) só aconteceu com a decisão do MP de ingressar na Justiça”, afirmou.
Adami também propôs que o tema seja tratado nacionalmente e não como um problema de S. Paulo. “Nós queremos ver negros em todas as agências de todos os bancos, de todas as cidades do país”, afirmou. O vice-procurador Brito Lopes foi representado pelo seu chefe de gabinete, procurador Clóvis Curado. Também participou da mesa, Neide Fonseca, pela Contraf – Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro – e presidente do Inspir – Instituto Sindical Latino Americano para a Igualdade Racial.
A manifestação de Adami aconteceu pouco antes do Frei David defender a suspensão. alegando, entre outras razões, que os bancos passaram a adotar uma postura de diálogo após as ações. “Nós não queremos o conflito”, disse frei Davi, que esteve na audiência acompanhado de lideranças da Rede Educafro, como Thiago Tobias.
O jornalista Dojival Vieira, Editor de Afropress, participou da reunião como presidente da Comissão da Diversidade da Secretaria do Trabalho de S. Paulo, que lança no mês que vem o Selo Diversidade Cidade de S. Paulo, defendeu a continuidade do diálogo, na expectativa de avanços por parte do setor bancário, e a unidade do movimento negro para apoiar o processo quando houver avanços e pressionar quando isso não ocorrer, evitando-se a divisão em torno de posições favoráveis ou contra a manutenção das ações, segundo ele, um assunto que está na esfera e na área da competência do Ministério Público do Trabalho.
Frei David explicou que a Educafro mudou de “metodologia”, mas não de objetivo. “Nossa metodologia é outra. Agente não quer conflito quando o outro lado mostra que quer diálogo”, afirmou, citando a mudança de postura do Banco Itaú.
Para Adami, que já entrou com representação questionando a ausência de negros na Igreja, no Itamaraty e nas Forças Armadas, no entanto, não apenas as ações não devem parar, como anunciou na audiência que até o final do mês entra com representação contra a Petrobrás e a Shell. Segundo ele, a Petrobrás tem apenas 4% de afrodescendentes nos seus quadros, e a Shell com 1.725 trabalhadores, apenas 34 negros, sendo que nenhum deles ocupa cargo de chefia.

Da Redacao